HISTÓRIA DO DOGUE ALEMÃO
O naturalista
Buffon foi o primeiro a se referir ao cão gigante castanho como Grand
Danois ( dinamarquês gigante) descrevendo-o como o autentico do molosso
e do alano. Empregou o nome Grand Danois para distingui-lo do Petit Danois,
pois, para alguns experts, o Petit Danois estaria relacionado com o Dálmata.
Caçadores assírios já possuíam grandes cães
de caça de pelo liso, existe ilustração a respeito,
datada de 600 anos a.c. Escavações mostram-nos que na Rússia,
na Polônia na Alemanha Central existiam cães semelhantes ao
dogue Alemão. Os romanos indiscutivelmente eram um povo muito culto:
comercializavam prata e marfim com os assírios, e é muito
provável que os cães gigantes que estes usavam tenham sido
importados pelos mesmos canais. Os romanos interessavam-se pela criação
de cães de raça pura, visando a pratica de esporte sangrentos.
Os imperadores romanos chegavam inclusive a nomear um funcionário
especial, chamado procurador cinológico, que vivia na cidade de Winchester,
conhecida então como cidade dos cães, e sua função
consistia em procurar os melhores exemplares e envia-los para Roma.
Durante a idade media estes cães semelhantes ao
dogue eram encontrados em grande numero na Europa. Príncipes e lordes
de renome formavam grandes grupos para caçar javalis, e com seus
cães vagavam pelas florestas; daí ficaram estes conhecidos
como (hounds de javali). Ainda hoje existe vários quadros e ilustrações
representando caçadas de javali. Muitos animais ficavam bastante
mutilados nas caçadas. Por esse motivo, de inicio, suas orelhas eram
cortadas, evitando-se que fossem arrancadas na luta. Assim, muitos desses
cães de javali do passado tiveram suas orelhas operadas, mas com
passar dos anos tais cirurgias Tornaram-se mais artísticas. Atualmente
temos inclusive o chamado ( corte longo ) tão admirado nos Estados
Unidos e continente europeu, embora com a proibição da cirurgia
estética no padrão oficial da raça, vem mudando gradualmente
esse quadro.Os cães ingleses eram criados pela aristocracia nos séculos
XV e XVI, e tornaram-se os grandes favoritos nas cortes reais.Diversos hounds
ingleses foram importados pela Alemanha e lá acasalados com os caçadores
de javali nativos.
Nos séculos XVII e XVIII cessaram as importações de
cães ingleses, pois os alemães já estavam em posição
de usar o plantel criado em casa, e a raça foi se tornando muito
popular. Os alemães criaram dois tipos, de características
marcadamente distintas: os cães do norte eram de estrutura pesada,
muito forte e de temperamento arrojado; os do sul possuíam linhas
mais elegantes e tendiam a apresentar disposição mais nervosa.
Certamente não existe outra raça que tenha tanto mudado de
nome. Nos séculos XVI e XVII os dogues alemães eram chamados
de dogues ingleses. Em 1680, contudo, quando começaram a serem criados
nas cortes germânicas, os maiores eram conhecidos como Kmmerhunde,
ou cães de câmara, e distinguiam-se dos demais por causa dos
colares dourados e enfeitados que usavam. Os cães considerados de
segunda usavam coleiras com enfeites prateados, porém, mais tarde,
todos voltaram a serem conhecidos como dogues ingleses, embora muitos anos
depois os tenham adotado como a raça nacional do país. A raça,
de fato, mudou de nome muitas vezes e foi conhecida até mesmo na
varias partes da Alemanha, por diferentes nomenclaturas, tais como cão
de ulm, hound de javali, dogue alemão, mastiff germânico ou
mastiff tigrado. Já no Brasil, ficou conhecido inicialmente como
Dinamarquês gigante, posteriormente a raça firmou-se como dogue
Alemão, diferente da Inglaterra e dos Estados Unidos, onde great
dane (dinamarquês gigante) é o nome oficial. Em 1878 um grupo
de sete pessoas ligadas à criação, em Berlim, na Alemanha,
lideradas pelo Dr.Von Bodinus resolveram denominar as diversas variedades
de cães grandes e fortes,de Deutsche Dogge, que significa Dogue Alemão.
O seu primeiro padrão,é de 1880. Há um registro de
um ancestral do Dogue Alemão no Brasil feito pelo pintor Amoedo,
que o retratou deitado aos pés de D. João VI. De acordo com
alguns criadores, a noticia mais antiga a respeito do Dogue Alemão
no nosso país ficaria entre 1925 e 1930, data em que uma criadora
de Brasília se recorda da presença desses cães na fazenda
de parentes, sendo o canil sete lagos o pioneiro na criação,
que iniciou por volta de 1950.
Pouca gente sabe explicar ao certo a origem dessas cores tão diversas, hoje as únicas aceitas oficialmente. Para a cinóloga Hilda Drumond, consultora de Cães & Cia, estão ligadas às diferentes funções que o Dogue desempenhou no passado. Segundo ela, o azul e o preto eram os preferidos para guardar propriedades. Escuros, eram mais difíceis de serem percebidas, o que lhes dava vantagem nos confrontos noturnos. Já o dourado e o tigrado eram preferidos nas caçadas a javalis pelo colorido mais claro, que facilitava a visualização por parte dos caçadores no meio da vegetação da floresta. O arlequim, por sua vez, acompanhava e protegia carruagens: além de elegante, as cores chamativas daqueles enormes guardiões podiam ser vistas de longe, a qualquer hora do dia ou da noite, intimidando com maior eficiência os assaltantes. A preservação dessas variedades é um cuidado que direciona as ações das pessoas interessadas em manter viva a tradição. Nela não cabem cães com marcações estranhas
Muitos já escreveram a historia do dogue alemão. Mas com o passar do tempo é natural que algo tenha se perdido ou se modificado com a tradição.Com tudo, a maior parte das autoridades no tema concorda em que os cães de grande porte já foram retratados e são conhecidos há centenas de anos e que pelo menos um tipo desses cães gigantes não era de estrutura tão pesada quanto o mastiff, nem tão leve quanto o Greyhound.
Por Marco Braga
Vice-Presidente do CPDA


