Estresse

Não é apenas o ser humano que pode sofrer de estresse. Essa palavra, tão comumente usada nos dias atuais, não é nenhuma novidade no mundo animal.
Sob condições adversas, tais como: transporte, mudança de ambiente ou na rotina da casa, morte do dono ou na família e viagens, os animais podem reagir com mudanças fisiológicas e/ou comportamentais.
Alguns animais apresentam diarréias quando voltam do banho em petshops. Por melhor que seja o tratamento oferecido, para esses animais a situação gera estresse capaz de causar-lhes diarréia. Nesses casos, é aconselhável que o dono acompanhe o animal durante o banho.
A introdução de um novo animal na casa pode ser um fator estressante para outro que já viva no ambiente, independente da espécie. A reação pode ser comportamental, com sinais que vão da agressividade à apatia, ou fisiológicos, com vômitos, diarréa ou perda de apetite.
A morte do dono é uma situação extremamente estressante. Muitos animais se recusam a comer por vários dias e perdem o interesse por tudo que os cercam. Há casos em que o animal chega a adoecer e até mesmo morrer, logo após a morte de seu dono. Notamos que esses animais não demonstram reação positiva ao tratamento, nos dando a impressão de total desinteresse por viver.
Em cães e gatos, a ausência do dono, diminuição do tempo ou frequência dos passeios, mudança de um empregado da casa, obras ou reformas ou situações em que o dono passa menos horas com o animal, podem causar estresse.
Na maioria dos casos, retirando-se a causa do estresse, o animal volta à sua vida normal. O estresse não é uma "doença" nos animais, mas um estado bastante comum. Ele pode sim gerar queda de resistência no organismo e levar a uma doença.
O estresse não pode servir de diagnóstico antes de eliminarmos todas as outras prováveis causas que levem a mudanças no comportamento e fisiologia. Nem todo o animal que está "diferente", está estressado. Ele pode estar doente...

Silvia C. Parisi
médica veterinária - (CRMV SP 5532)
silvia.parisi@vidadecao.com.br
www.vidadecao.com.br

Guia de Primeiros Socorros para cães e gatos

O intuito deste guia é orientar o proprietário como agir em situações em que o socorro imediato ao animal se faz necessário. E disso, muitas vezes, irá depender a vida do animal até que o socorro veterinário seja possível. Aprenda como agir em casos como atropelamentos, convulsões, envenenamentos, picadas de cobra, etc..

Analise se o caso é de emergência ou urgência.
Emergência: requer medidas imediatas das quais a vida do animal irá depender. Exemplo - hemorragia, parada cardíaca e/ou respiratória, atropelamento, envenenamento, choque elétrico, afogamento, inalação de fumaça em incêndio, etc..
Urgência: são casos de menor gravidade, mas que devem ser socorridos a tempo para que o animal não tenha complicações mais graves. Exemplo: vômito ou diarréia intensos, piometra (infecção uterina nas cadelas), ausência de urina por mais de 24hs, convulsão e outros.

  • Seja qual for o caso, procurar manter a calma.
  • Em desespero, o proprietário pode cometer erros ou não conseguir colocar em prática uma medida simples, mas importante.
  • Sempre avalie se o animal entrou em estado de CHOQUE.
  • Este estado significa um deficiente suprimento de sangue para os orgãos vitais, e pode ser fatal.

Os sintomas do estado de choque são:

  • temperatura do corpo baixa, principalmente nas extremidades como patas e orelhas
  • batimentos cardíacos acelerados
  • respiração acelerada
  • pode ou não haver perda da consciência
  • gengivas muito pálidas

O animal pode entrar em choque em casos de hemorragia grave, atropelamento, envenenamento, choque elétrico intenso, desidratação grave, queimaduras graves e outras situações de emergência.

O que fazer:

  1. manter o animal deitado de lado
  2. manter a cabeça e região do tronco mais baixos do que a parte traseira do corpo. Isso garantirá que o sangue chegue ao cérebro e coração.
  3. aquecer o animal: enrole-o em um cobertor e coloque uma bolsa de água quente ou garrafa com água quente próximo ao animal, se for possível.
  4. coloque a língua do animal para fora de um dos lados da boca, para garantir que a respiração não seja obstruída.
  5. stanque qualquer hemorragia (ver conduta em casos de hemorragia)
  6. transporte ou movimente o animal delicadamente para evitar traumatismos maiores e evitar que ele sinta dores. Se possível, improvise uma maca com uma toalha grande ou cobertor.

procure auxílio veterinário o mais rápido possível. Para isso, tenha sempre à mão o telefone e endereço do hospital veterinário com plantão 24hs mais próximo de sua localidade, ou de uma clínica veterinária bem equipada para atender emergências.

Emergências

Parada cardíaca e/ou pulmonar: podem ocorrer isoladas ou conjuntamente.
Quando ocorre : em casos de animais que receberam forte choque ao morder fio elétrico, atropelamentos, quedas ou traumatismos graves, animais cardíacos, afogamentos, etc...
Sinais : colocando a mão sobre o lado esquerdo do peito do animal, não há sinais de batimentos cardíacos e/ou observando o tórax do animal, não há movimentos respiratórios.
O que fazer : deve-se proceder a massagem cardíaca e respiração artificial dentro de, no máximo, 5 minutos. Deitar o animal sobre o lado direito.

Respiração artificial: com a sua mão, feche a boca do animal segurando firmemente o focinho. Eleve a cabeça do animal e encoste sua boca no focinho dele (você pode usar um lenço fino para evitar o contato direto). Sopre para dentro das narinas até sentir que o peito do animal se eleva. Deite a cabeça do animal e pressione o peito dele delicadamente para que o ar saia. Em 1 minuto, repita o procedimento 8 a 10 vezes. Verifique se o animal volta a respirar. Continue a respiração artificial, caso ele ainda não esteja respirando. Alterne o procedimento com outra pessoa quando você se cansar.


Massagem cardíaca:
o cão deve estar deitado sobre o lado direito. Coloque a palma da sua mão sobre o coração do animal (veja a ilustração). Faça uma pressão firme e rápida sobre a região e solte. Você deve pressionar rapidamente e soltar uma vez por segundo. No caso de cães muito pequenos ou gatos, usar as pontas dos dedos para pressionar o coração. Massagear por um minuto e observar se os batimentos cardíacos voltam.

OBS: no caso de você ter que realizar conjuntamente a massagem cardíaca e respiração artificial, faça uma sequência de 5 ou 6 pressões sobre o coração, intercaladas por uma respiração.

Continue realizando esse procedimento a caminho do veterinário, caso o animal ainda não tenha voltado a mostrar sinais respiratórios ou cardíacos. Se você não tiver acesso rápido a um veterinário e já realizou a ressuscitação por mais de 30 minutos, sem sucesso, dificilmente o animal sobreviverá.

Silvia C. Parisi
médica veterinária - (CRMV SP 5532)

silvia.parisi@vidadecao.com.br
Ilustrações: Canine Clinic (Anna P. Clarke, DVM)

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