A qualidade da alimentação é diretamente
relacionada com qualidade de vida e de saúde. Comida é o combustível
das nossas vidas e sem ele vida não existiria. E como todos nós
sabemos, precisamos comer uma grande variedade de alimentos puros e frescos
para mantermos numa saúde ótima. O mesmo se aplica a nossos
queridos bichos de estimação.
Cada espécie animal possui necessidades nutricionais particulares.
Se todas as espécies animais fossem programadas para comer as mesmas
coisas, já estaríamos há muito tempo sem comida !!!
O sistema digestivo do cão se desenvolveu ao longo de 120 milhões
de anos para digerir certos alimentos específicos à sua espécie
animal e não outros. É por isso que seu carnívoro domesticado
ou onívoro com tendências carnívoras, precisa de alimentos
específicos para sua espécie se quiser que ele esteja em um
perfeito estado de saúde.
Partindo destas premissas é que foi desenvolvido o conceito da Alimentação
Natural - uma dieta que a evolução formulou para nossos cães.
A Dieta - A nutrição
dos nossos bichos de estimação é um assunto bastante
discutido e as opiniões são pessoais e muito fortes. Não
existe “UM” método certo. Para ter sucesso, uma dieta
deve deixar tanto o dono como o animal felizes....
Não vamos aqui discutir se um cão pode ser mantido em boa
saúde com refeições preparadas em casa porque o cão
existe como nosso companheiro há mais de 14,000 anos e as rações
comercias há mais o menos 60 anos, e o simples fato de que os cães
continuam existindo ao nosso lado prova que as pessoas conseguiam preparar
a alimentação de seus animais e mantê-los em saúde.
Na realidade, preparar refeições seu cãozinho é
muito mais simples do que muita gente imagina. mas requer que mudemos nossa
forma de pensar. Precisamos reprogramar nosso cérebro e assim parar
de pensar em porcentagens.
As pessoas que alimentam seus animais com sacos e latas de ração
se acostumaram em alimentá-los porcentagens. Os animais selvagens
não comem assim – nem aqueles em zoológicos –
nós não comemos assim nem os nossos filhos. Você não
vai num restaurante e pede ao garçom: “22% de proteínas,
10% de gordura, 25% de fibra e 40% de umidade” !!! E na hora da refeição,
não PENSAMOS: “Eu preciso comer exatamente 3 taças de
purê, 3 colheres de sopa de molho, meia taça de legumes e 150
gramas de carne”. As dietas recomendadas são sempre baseadas
em GRUPOS ALIMENTARES e EQUILÍBRIO. É evidente que as proporções
gerais de alimentos são importantes, mas não devem ser seguidas
como torturas.
O Modelo de Caça e Presa
A forma mais fácil e simples em balancear as proporções
gerais das refeições do seu animal é visualizar aquilo
que o lobo come: coelho, ave, rato, etc. Esse cardápio poderia ser
resumido como: um monte de carne, ossos crus, uma quantidade menor de miúdos
crus, um pouco de conteúdo do estômago e alguns extras como
ovos de vez em quando, plantas, insetos, etc. Assim sendo a pirâmide
dos grupos alimentares dos nossos animais de estimação são
os seguintes:

É importante lembrar que quantidades e proporções variam
bastante com exercícios, clima, temperamento, crescimento, predisposição
e outros fatores – igualzinho como seres humanos e por isso não
existe uma receita pronta ou uma receita certa e outra errada. Variedade
num médio prazo é o mais importante.
Grupos Alimentares - O conceito dos grupos alimentares é o método mais popular para entender o balanceamento coreto durante as refeições. Os grupos alimentares básicos para seu cão são os seguintes:
Carne Crua - inclui proteínas
de boi, peixe, frango, ovelha e coelho. Inclui tanto carne de músculo
como de miúdos. Proporcionalmente, deve se dar mais carne de músculo
do que carne de miúdos. Na vida selvagem, se o animal come ou não
os miúdos e o estômago depende em seu status dentro da matilha
e de suas preferências. Miúdos são extremamente ricos
em nutrientes, e em excesso podem desbalancear a dieta do animal (Vitamina
A e Vitamina D principalmente). Neste temos ainda ovos (crus e com casca)
que podem ser dados algumas vezes por semana.
Sempre devemos usar carne para consumo humano. Se a bactéria que
pode estar nas carnes cruas assusta, é bom lembrar que os cães
possuem sistemas digestivos que evoluíram durante milhões
de anos para assegurar-se de obter todos os nutrientes necessários
através de carne crua. Seu sistema digestivo é curto e muito
ácido, perfeito para combater bactérias. Este grupo fornece
os seguintes nutrientes: aminoácidos e proteínas, antioxidantes,
vitaminas A, C, D, E, K, B1, B2, B5, B6, e B12, biotina, colina, acido folico,
inositol, iodina, acido pantotenico, PABA, cálcio, fósforo,
magnésio, potássio, crômio, cobre, manganês, selênio,
sódio, enxofre, vanádio, zinco, coenzyma Q10, “iron",
"fatty acids".
Osso Cru - nossos cães
e gatos comem ossos como uma fonte de nutrientes superior há milhões
de anos. É só pensar quantos ossos estão presentes
no corpo de uma presa. Se você é dono de um cão que
caça por si próprio é bem provável que ele já
tenha catado e consumido um passarinho ou um ratinho – os dois com
seus ossos... Sortudo. !!! O mais importante deste grupo alimentar é
de SEMPRE dar os ossos crus. Ossos cozidos tem sua estrutura molecular alterada
deixando os muito quebradiços, pontiagudos e comportando-se como
farpas. Ossos cozidos são também muito dificilmente digeridos.
OSSOS COZIDOS SÃO PERIGOSOS – por isso NUNCA sirva ossos desta
forma para seu animalzinho...
Ossos crus além de oferecer uma excelente nutrição,
promovem exercícios para as mandíbulas e também para
as funções intestinais, e, aliado a um pH corporal correto
obtido através de comida crua e natural, ajudam a deixar os dentes
brancos. Ossos crus comestíveis são os ossos que seus animal
pode totalmente consumir. Por exemplo, joelhos de boi são parcialmente
consumidos: oferecem muito divertimento para seu peludo mas somente com
parte do seu valor nutricional. Ossos crus de aves com um pouco de carne
é um alimento muito apropriado. É isto mesmo !!!! Ossos de
frango MAS DESDE QUE SEJA CRU !!!! Mesmo que todas as partes de uma ave
possam ser dadas a seu cão, é bom começar com pescoços
de galinhas ou peru que são cheios de cartilagens – a mesma
cartilagem que se encontra em medicamentos nos veterinários –
mas de forma natural e barata!!!
Legumes Crus - Este grupo inclui
legumes e plantas que crescem por cima e debaixo da terra. Por cima da terra
são: aspargos, agrião, espinafre, brócolis, repolho,
couve-flor, salsão, coentro, salsinha, etc. Por baixo da terra são:
batata – cuidado de não dar aquelas que já germinaram
- batata doce, mandioquinha, cenoura, etc. Ervas também podem ser
incluídas neste grupo. Um bom guia de referencia sobre ervas é
importante para ter certeza que estas são seguras para seu animal.
Alho fresco é excelente em pequenas quantidade. Um pouco de gengibre
também. É importante que haja sempre uma variação
semanal dos legumes.
Certos legumes devem ser dados com cuidado. Alface não tem grande
valor nutritivo e a cebola também não é muito boa.
Brotos somente com moderação. Legumes com muito ácido
oxalico (espinafre por exemplo) podem interferir com a absorção
de cálcio.
Consumo em excesso de legumes cruciferos podem interferir com o funcionamento
da tiróide (repolho, brócolis). Você não está
alimentando um herbívoro.
Para os nossos cães e gatos poderão aproveitar o máximo
possível estes nutrientes, estes legumes devem ser oferecidos numa
forma que o cão poderá os digerir – do mesmo jeito que
estes se apresentariam na natureza no estômago de uma presa.
Por tanto os legumes devem ser colocados num processador, liquidificar,
ou outro tipo de maquina afim de fazer um purê deste legumes
Legumes crus fornecem os seguintes nutrientes: proteínas, antioxidantes,
beta-carotene, carbohidratos, fibra, vitamina A, B1, B2, B3, B5, B6, C,
D, E e K, boro, colina, acido folico, inositol, iodina, PABA, acido pantotenico,
cálcio, cromo, cobre, iodina, magnésio, manganês, fósforo,
potássio, silicone, sódio, enxofre, selênio.
Extras - Os extras servem para
complementar certos nutrientes que não são mais encontrados
ou, são encontrados em quantidades menores devido ao uso de agrotóxicos,
depredação da terra cultivada, etc. Os suplementos ajudam
também a fornecer nutrientes existentes na natureza selvagem e também
ajudam os nossos animais a combater toxinas ambientais e outros estresses
do nosso mundo moderno.
Fuccus e Alfafa. A combinação deste dois itens é muito
importante devido a sua lista de micro-nutrientes e outros benefícios.
Contém diversas vitaminas e minerais, reduzindo a perda de pêlo,
além de terem propriedades anti-cancer, anti-reumático, anti-artrite,
etc. A qualidade é extremamente importante. Mistura os dois 50/50
e deixa numa jarra bem fechada longe do sol e da umidade.
Acidos Graxos Essenciais. Todas as células do seu animal precisa
de ácidos graxos essenciais para produzir pele, pelo, articulações
e corações saudáveis. Boas fontes de ácidos
graxos essências são peixe, óleos de peixe, frango,
óleos de legumes, ovos, nozes cruas, e sementes. O mais importante
é lembrar que a qualidade dos óleos é importantíssima.
Estes óleos devem ser de primeira pressão a frio, devem estar
dentro de sua validade, devem ser estocados em recipientes escuros a prova
de luz. Óleos de peixe devem ser testados para qualidade.
Vitamina C. É uma das vitaminas que o cão e o gato produzem
sozinhos, mas devido ao nível de poluição, toxinas
e estresse com os quais os nossos animais convivem diariamente, devemos
ajudá-los fornecendo suplementos de vitamina C, que atua fortalecendo
o sistema imunológico e o colágeno. A vitamina C é
também anti-inflamatoria, antioxidante, e antistaminica. Cada animal
é um indivíduo e terá necessidades individuais de vitamina
C.
É muito importante que todos os ingredientes sejam de primeira qualidade.
Quanto melhor a qualidade maior será a bio-disponibilidade dos alimentos.
A bio-disponibilidade é uma forma de medir o quanto o animal consegue
aproveitar os nutrientes que lhe são oferecidos. Por exemplo, a carne
vermelha crua contém um alto teor de proteínas e possui uma
alta bio-disponibilidade: o que entra não sai Por outro lado, um
sapato de couro contendo também um alto teor de proteínas
possui um bio-disponibilidade muito baixa: do jeito que entrou vai sair...
Modelo de Dieta - O modelo
a seguir é apenas um exemplo MUITO básico e devemos lembrar
que cada cão é um indivíduo particular e que nem sempre
o é suficiente para um é suficiente para todos. Estes modelos
de dieta devem servir como referência ou ponto inicial de partida.
Outro possível ponto de partida é mantendo as proporções
da pirâmide alimentar do cão, oferecer de 2 a 3% de seu peso
corporal em refeições diárias. Ou seja se o cão
pesa 10 quilos, dar-lhe de 200 gramas a 300 gramas por dia de comida. Parece
muito ? Lembre-se que a ração contém alguma coisa em
torno de 15% de unidade enquanto a alimentação natural é
de quase 90% !!!
Cães e Gatos - +/- 5 quilos Cães e Gatos - +/- 25 quilos Cães
e Gatos - +/- 45 quilos
Carne Crua: 75 - 125 ml de músculo moído mais miúdos
ou ovo
Ossos Crus: 1 a 2 pescoços de galinha
Legumes: 1/2 a 1 colher a sopa
Fuccus /Alfafa: 1/2 a 1 colher de chá
Óleo de Fígado de Bacalhau: 1/4 colher de chá
Óleo de Linhaça: 1/2 colher de chá
Vitamina C: 500 a 1500 mg Carne Crua: 175 - 250 ml de músculo moído
mais miúdos ou ovo
Ossos Crus: 4 a 6 pescoços de galinha
Legumes: 3 colheres a sopa
Fuccus /Alfafa: 2 colheres de chá
Óleo de Fígado de Bacalhau: 1 colher de chá
Óleo de Linhaça: 2 colheres de chá
Vitamina C: 3000 a 6000 mg Carne Crua: 325 - 500 ml de músculo moído
mais miúdos ou ovo
Ossos Crus: 12 a 18 pescoços de galinha
Legumes: 6 colheres a sopa
Fuccus/Alfafa: 1 colheres de sopa
Óleo de Fígado de Bacalhau: 2 colheres de chá
Óleo de Linhaça: 1.5 colheres de sopa
Vitamina C: 6000 a 7500 mg
Com a prática cada dono irá perceber aquilo que seu cão
precisar e ir assim adaptando a dieta. Mas nunca é demais lembrar:
o mais importante é a variedade.
Preparação da Refeição
- Qualquer coisa nova requer tempo e repetição para
virar rotina. Preparar a nova refeição do seu animal pode
ser muito esquisito nos primeiros tempos mas depois vira rotina. O melhor
jeito é de fazer uma planilha e de prendê-la aonde você
irá preparar a refeição. Nos primeiros dias, você
irá olhar muitas vezes para verificar as quantidades e os ingredientes,
mas logo não vai precisar mais nem olhar.
Misture bem todos os ingredientes (na temperatura ambiente, uma vez que
comida fria pode causar dores de estômago e é digerida mais
lentamente) numa tigela e sirva.
Os ossos podem ser servidos de duas formas: junto com os outros ingredientes
na tigela ou separados como sobremesa. Para a maioria dos cães os
ossos são a parte preferida da refeições e devemos
evitar que eles comam somente os ossos deixando o resto de lado. Por isso
muitas pessoas preferem dar os ossos como sobremesa e manter a regra que
se comerem todo não irá ter sobremesa !!!
A Mudança
É fundamental que qualquer mudança de dieta seja feita com
carinho e confiança. É normal encontrar um instinto de relutância
em provar uma coisa nova. Na natureza, “mamãe cachorro”
mostra a seus filhotes o que pode e não deve se comer. Certos animais
domésticos continuam com um certo nível deste instinto. Se
você apresentar uma tigela de comida na qual você mesmo não
deposita confiança, o animal é bem capaz de rejeitá-la.
Alguns cães mudam seus hábitos alimentares de um dia para
o outro enquanto outros demoram mais tempo.
Você pode optar em fazer a troca de alimentação de um
dia para o outro ou preferir fazer a troca de forma gradual num período
de 7 a 10 dias. Durante este período vai aumentando a cada dia a
proporção da alimentação natural. Nesta etapa
de transição é bom triturar todos os ossos afim de
poder misturar os alimentos naturais mais facilmente com a ração.
Não se recomenda continuar com a mistura de alimentação
natural junto com alimentação comercial por mais tempo que
necessário porque essa mistura pode causar desbalanceamentos nutricionais.
Normalmente 5 a 10 dias é período mais que suficiente para
a transição.
Adotada a dieta natural você irá perceber algumas mudanças
imediatas. Uma das primeiras mudanças pode ser um grande entusiasmo
e apetite na hora das refeições. O mais provável é
que seu animal esteja tentando compensar uma deficiência nutricional
prévia e que assim que essa deficiência foi sanada, o consumo
vai cair. Outra mudança pode ser justamente perceber uma diminuição
da quantidade de comida que ele come. Isto se deve ao fato que de alimentos
natural são muito mais ricos em nutrientes e portanto uma quantidade
menor é necessária para satisfazer seu animal.
Outra grande mudança é no volume de fezes e na sua consistência.
A alta bio-disponibilidade de nutrientes da alimentação natural
faz com que a quantidade de fezes seja extremamente pequena, além
de mais duras e quase sem cheiro. Outros beneficio é que as fezes
da alimentação natural são mais rapidamente degradadas.
Se você achar que as fezes do seu animal são duras demais ou
que o cão esta constipado, você pode ajustar a proporção
de ingredientes que endurecem as fezes ao ingredientes que amolecem as fezes.
Em regra geral, ossos e legumes que crescem debaixo da terra endurecem as
fezes, enquanto que os legumes que crescem acima da terra, óleos
e gorduras, vitamina C amolecem as fezes.
É importante dizer que após a troca da alimentação
comercial pela alimentação natural, pode acontecer o que se
chama de desintoxicação, que é um período de
adaptação no qual o corpo tenta se regenerar e sarar. Alguns
animais nunca apresentaram sinais de desintoxicação. Mas caso
o seu apresente, você precisa reconhecer os sinais: que incluem coceiras,
espinhas, fezes muito moles e com mucosas, bafo terrível, orelhas
mais sujas que de costume, odor corporal, etc. Alguns antigos problemas
podem voltar a surgir como uma velha alergia. Quanto mais “lixo”
o seu animal tem dentro, quanto mais intensa a desintoxicação.
A duração de uma desintoxicação normalmente
varia de 1 dia até uns 10 dias.


