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24 de janeiro de 2019
Memórias do Subsolo é um livro febril, arrebatador, cujo personagem explora a natureza e o subconsciente humano. Na verdade, o próprio Subsolo do título parece-me uma alegoria do próprio subconsciente. O livro é dividido em duas partes; na primeira o narrador anônimo faz duras críticas ao positivismo, ao otimismo de que o ser humano se torna melhor à medida que se torna mais consciente de suas ações. O autor tece essas críticas magistralmente ao contrapor a razão e a emoção que guia cada ser humano. Assim, em uma das facetas podemos ver que o texto mostra que a razão humana pode nos dizer qual caminho será o melhor para cada ser humano trilhar, na verdade, cada um de nós sabemos o melhor para nós, mas a natureza humana não é composta só pela razão, assim muitas vezes se ignora o que é o melhor, porque simplesmente adoramos a liberdade de escolher o melhor para nós, mesmo quando somos nós mesmos nossos próprios despostas: pois temos o livre arbítrio. Portanto, muitas vezes procuramos o prazer mesma na dor, mesmo no mal, mas isso não nos torna mal, apenas humano, um ser complexo que está muito além do cientificismo. Acho que o fragmento abaixo ilustra isso com muito mais clareza do que eu jamais conseguiria:
“Permiti-me fantasiar um pouco. Pensais no seguinte: a razão, meus senhores, é coisa boa, não há dúvida, mas a razão é só razão e satisfaz apenas a capacidade racional do homem, enquanto o ato de querer constitui a manifestação de toda a vida, isto é, de toda a vida humana, com a razão e com todo o coçar-se. E embora a nossa vida, nessa manifestação resulte muitas vezes em algo bem ignóbil, é sempre a vida e não apenas a extração de uma raiz quadrada. ”
Do humor negro da primeira parte, chega-se à tragédia da segunda que mostra uma memória do narrador, na verdade é como se ele apresentasse uma vivencia prática de tudo que esboçou na primeira parte. Nele vemos a natureza humana em todo o seu esplendor (apesar da degradação), ali ele nos mostra a raiva, a inveja, o ciúme, o medo, a paixão, o amor e o ódio a percorrer todo o seu Subsolo, nos levando a sentir um misto de compaixão e raiva, talvez apenas para esboçar as contradições da natureza humana no próprio leitor. Para mim, é nessas contradições que está a grandeza do livro, pois ele nega tudo e depois nega a si mesmo; por exemplo: ele começa o livro dizendo ser uma pessoa má, mas logo ele nega isso, nega que seja mau, apesar de também não ser bom, e ao percorrer o livro percebe-se que ele é apenas humano, como todos nós.
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