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50 PRINCIPAIS AVALIADORES
24 de setembro de 2019
A primeira coisa que você precisa saber é que "O Instituto" não é um livro de terror clássico, daqueles que pavimentaram o caminho de King ao estrelato, ao estilo de "A Coisa", "O Iluminando" ou "Cemitério". Nada de palhaços macabros, possessões demoníacas, vampiros...

O enredo é sombrio e assustador, não há dúvida, mas os monstros, as criaturas maléficas desse livro são os próprios seres humanos, mais especificamente sua perversidade e insensibilidade.

Na mesma linha de "Sob a Redoma" e "Escuridão Total sem Estrelas" (que são livros melhores), "O Instituto" também é uma obra que traz reflexões sobre a natureza humana.

Em suas páginas está retratado o lado mais cruel da espécie humana, a ponto de entender a tortura como algo corriqueiro, ao mesmo tempo em que é realçado o que temos de mais nobre: o poder de superação e a capacidade de se sacrificar pelo próximo.

A história gira em torno de uma instalação sinistra (o instituto) que abriga crianças com poderes telepáticos ou telecinéticos. Para potencializar suas habilidades, métodos brutais são permitidos. Com que objetivo? Isso você vai ter que ler pra descobrir.

Na maior parte do tempo, o sobrenatural não é o elemento de destaque e enquanto permanece como algo misterioso e insondável, tudo evolui muito bem.

É justamente quando as potencialidades mentais vêm para o primeiro plano que a história perde vigor, mas isso ocorre já próximo do fim.

É também próximo do fim que a trama assume ares de conspiração planetária, o que me pareceu um tanto forçado. Não precisava.

Em compensação, a atmosfera tensa e o ritmo acelerado só merecem aplausos.

Mesclando cenas mórbidas com passagens repletas de ação, King mostra toda sua versatilidade, brindando o leitor com uma caçada humana de tirar o fôlego (um dos pontos altos da história) e vívidos tiroteios.

Sua bela escrita também é um atrativo. Com o passar dos anos, King foi ficando menos prolixo e descritivo, assumindo um estilo mais ágil e direto. O livro é rico em referências, contendo desde elogios a "Crônicas de Gelo e Fogo", de Martin, até menções (menos honrosas) ao presidente Trump.

O desfecho da obra é reservado ao velho adágio "os fins justificam os meios", que é apresentado de forma engenhosa, instigando o leitor a repensar sobre a tênue linha que separa os conceitos de "bem" e "mal".

Inegavelmente é um bom livro, inclusive com alguns trechos em que a leitura se torna compulsiva, mas não é excelente (em razão do terço final, quando as coisas saem um pouco dos trilhos).

É leitura recomendada (King é sempre leitura recomendada), mas sem pretensão de figurar na lista de obras imperdíveis do mestre.

Nota: três estrelas e meia.
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4,6 de 5 estrelas
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