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29 de fevereiro de 2016
“Resta um” é um lançamento da Companhia das Letras, romance de estreia de Isabela Noronha. A sinopse promete uma “trama misteriosa e angustiante”, e a expectativa é reforçada pela inscrição na capa: “VENCEDORA DO CURTIS BROWN PRIZE”. No entanto, ao ler “Resta um”, não foi exatamente isso que encontrei.
A história gira em torno do desaparecimento da filha de Lúcia, Amélia, e do drama enfrentado pela professora após o evento. A perda faz o mundo de Lúcia desmoronar, destruindo tudo em sua vida. A narrativa começa lenta e, ainda que a sinopse diga “com um ritmo incrível”, segue lenta e enfadonha até o fim.

Lúcia é uma personagem com zero de carisma, e em quem todo o foco dramático é direcionado. Assim, é difícil desenvolver empatia. Amélia tem pouquíssimos momentos, insuficientes para que nos apeguemos a ela, o mesmo ocorre com o marido. Não dá pra gostar de Lúcia nem de sentir pelo seu sofrimento. Em alguns momentos, a sensação foi a de que ela era a única que merecia o sofrimento passado.

Como narradora principal, a protagonista tem dois momentos, o presente, anos após o desaparecimento da filha, e o passado, começando antes do desaparecimento e seguindo os eventos após o acontecido. Em ambos, Lúcia se mostra uma pessoa egoísta, antipática e instável.

Em certo ponto, somos apresentados a uma terceira narração, a qual não tem data exata, marcada apenas por dias da semana. Aqui, a narração é quase idêntica a de Lúcia, mesmo sendo em primeira pessoa, o que faz parecer que não há uma nova personagem. Esmeraldina, bem mais velha que Lúcia, só se diferencia pelo uso irritante de diminutivos e por conversar com plantas. Esmeraldina = Lúcia + Esquizofrenia. Assim como a protagonista, essa personagem é totalmente desprovida de carisma, o que só acrescenta mais e mais capítulos enfadonhos ao livro.

O dito e-mail da sinopse demora bastante a aparecer e, após isso, nada é como o esperado. Lúcia não luta para encontrar a filha, ela apenas devaneia e faz coisas estúpidas. O mistério, aqui, não convence, e a trama caminha para lugar nenhum. Personagens fazem coisas totalmente inverossímeis, os fatos não se ligam de maneira lógica.

O desfecho, minha última esperança de salvação para a história, é extremamente desanimador, uma saída preguiçosa e desinteressante . No fim, “Resta Um” é uma história com um tema interessante e uma sinopse promissora, mas que se desperdiça em uma leitura cansativa que não desperta emoção alguma.
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