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19 de abril de 2018
“Nunca Houve um Castelo” é o segundo romance de Marta Batalha que fez sua estreia há dois anos com “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”. Um best-seller que foi lançado primeiramente nos Estados Unidos, país onde ela mora, provando a dificuldade de um novo nome encontrar espaço no nosso mercado editorial.

Mesclando ficção e realidade, desta vez, a escritora narra outra saga familiar: três gerações da família Jansson cujo patriarca, Johan Edward, chegou ao Rio de Janeiro no início do século XX, para ocupar o cargo de cônsul da Suécia. Um homem apaixonado que construiu um pequeno castelo na praia de Ipanema, para abrigar Brigitta, sua excêntrica mulher, além de Axel, Vigo e Nils, os três filhos, quando o bairro não passava “de um novo mundo dentro do novo mundo”, isto é, uma pequena comunidade praticamente isolada do resto da cidade.

Esta história, cercada de lirismo e com pinceladas de realismo mágico, assemelha-se a um conto de fadas que vai mudando de tom, conforme o tempo avança e o progresso atinge este Jardim do Éden, transformando-o num dos destinos mais badalados do mundo mas também num símbolo da transgressão, desigualdade e violência.

Dividido em duas partes, a última exibe a perspicácia e a fina ironia que marca o primeiro livro da escritora. Desta feita, duas personagens assumem o comando da história: Otávio ou Tavinho Jansson, neto de Johan, e sua esposa Estela Aguiar, uma dona de casa perfeita. Eles vivem um casamento atribulado, sem tempo de assimilar as transformações que ocorrem no bairro, a invasão imobiliária, e no país, a ditadura militar e a AIDS.

Exibindo múltiplas subtramas que pouco a pouco vão se entrelaçando, “Nunca Houve um Castelo” discorre sobre escolhas equivocadas e arrependimentos. Entretanto, a desconformidade entre a realidade e a expectativa acaba por ceder lugar para a fragilidade da memória. Basta observar o título do livro: o tal castelo realmente foi erguido no Arpoador, mas com o correr dos anos, foi demolido e caiu no esquecimento até sua existência passar a ser questionada. A bem da verdade, com um brilhante desfecho, Marta escolheu um fato real, para, ao desconstruí-lo, revelar a transitoriedade da vida.

"Pediram o quinto chope. Alguém levantou o copo em homenagem ao último nobre de Ipanema, o homem que havia morado no castelo em frente à praia.
-Que castelo?
-O castelo da Vieira Souto, esquina com a Joaquim Nabuco.
-Ali nunca houve um castelo -disse um homem no canto.
-Lógico que houve.
-Não era castelo. Era um bar chamado Castelo.
-Não era um castelo nem um bar. Era um trecho da praia com esse nome.
-Isso foi depois do bar. Antes era um castelo.
-De jeito nenhum, ali sempre foi um bar -disse outro homem, girando o indicador em círculos na têmpora, comprovando não só a ficção do castelo, como a demência daquele que o evocou."

Perfeito para virar filme ou seriado, recomendo.

Nota: Optei pelo e-book que atendeu minhas expectativas.
Fotos: A residência da família Jansson e o Bar Castelinho, construído após sua demolição.
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