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Avaliações dos clientes

11 de junho de 2017
Cayce Pollard é uma personagem fascinante. Queria começar com esta frase para os leitores do Ficções Humanas não acharem que eu tenho algum tipo de perseguição ou ódio gratuito ao William Gibson. A verdade é que Reconhecimento de Padrões tem uma qualidade de escrita muito superior a Neuromancer, na minha modesta opinião. Mas, continua com alguns problemas típicos da escrita do autor: o excesso de referências pop (as quais o leitor não capta; diferentemente de Deuses Americanos que é bem menos underground) e a grande quantidade de momentos que não fazem o menor sentido para o desenvolvimento da história ou para o amadurecimento (ou não) dos personagens.

Cayce trabalha com padrões de comportamento. Sua habilidade consiste em entender que tendências estarão na moda nas próximas temporadas e criar peças de publicidade capazes de agradar ao público. Mas, quando sua vida vai mal, ela é contatada por um empresário exótico chamado Bigend. Dono de uma empresa de publicidade multimilionária, ele vai contratá-la para encontrar os criadores de um Filme sensacional e emotivo que se tornou viral. Bigend quer entrar em contato com essas pessoas e entender do que se trata o Filme. Mas, durante suas investigações, Cayce vai lidar com situações bem estranhas que vão colocar até mesmo sua vida em risco. Afinal, o que é o Filme? E o que Bigend quer com ele?

Se formos procurar analisar o protagonista, Cayce é uma personagem mais redonda do que Case de Neuromancer. A construção dela tem um delineamento melhor e o leitor consegue compreender as motivações que a movem. Conhecemos suas virtudes e defeitos, o que torna Cayce mais humana. E isso acaba fazendo com que eu deteste a maneira como Gibson termina o livro. Se um defeito define ou individualiza um personagem, por que raios eu tenho que arrumar um bendito deus ex machina e eliminar aquilo que torna Cayce tão interessante? Juro... eu tento não perseguir o autor, mas ele não deixa.

Mas, Boone Chu consegue ser pior do que Molly, a personagem que atua junto de Case em Neuromancer. Molly se tornou uma personagem cult e a forma como Gibson trabalha suas características em Neuromancer faz com que ela tome a frente em vários momentos (apesar de ele destruir a personagem em Mona Lisa Overdrive). Tá... vamos comparar então com Parkaboy se os leitores acharem que se trata de uma comparação melhor. Achei que o autor se preocupou demais novamente em deixar a ambientação mais cool e não deixou espaço para desenvolver os personagens secundários. O par romântico de Cayce apareceu meio de pára-quedas, arremessado no contexto no meio do livro. A personagem demonstrou interesse romântico por outra pessoa a qual ela acaba por não resolver a situação. Fica um gosto de climinha mal resolvido. Okay... escritores de sci-fi não costumam lidar bem com pares românticos (que o diga Asimov).

A ambientação é perfeita. Simples assim. Conseguimos realmente sentir como funciona o universo das marcas. Aliás, a obra soa bastante como uma história de espionagem principalmente quando a ação acontece na Rússia. Só achei que a história demorou para engrenar. Muito tempo perdido em deixar o ambiente cool e levar a personagem até o começo da história. Os primeiros seis capítulos são tediosos e não funcionam para apresentar adequadamente os personagens.

O tema da obra é a mídia nos dias atuais. Como uma simples obra é capaz de cativar o público e não ser compreendida de todo. Em nenhum momento os fãs do filme realmente conseguem captar o que os seus autores gostariam de dizer. Quando Cayce se depara com o motivo para o qual o filme foi feito, ela se emociona e entende que se trata de uma obra intimista. A ideia era divulgar um pensamento, fazerem as pessoas se importarem com algo mais importante; mas, as corporações acabam por mudar o objetivo final do filme. Nossa protagonista acaba por se rebelar diante de tudo.

Como sempre, Gibson faz uma crítica pesada às corporações que ele acredita dominarem o cotidiano das pessoas. No caso de Reconhecimento de Padrões, seria o mundo das logomarcas. Bigend queria usar a pureza por trás da magia despertada pelo Filme para transformar esse apelo em uma campanha publicitária. Ele não diz isso de forma explícita, mas esse era o objetivo da Blue Ant, algo claro em vários momentos da história.

Em uma última análise, Reconhecimento de Padrões me desperta um pouco de medo. Medo pelo envelhecimento precoce da obra. Diferentemente da Trilogia Sprawl que foi revolucionária e ressoa a um público atemporal, esse primeiro volume da Trilogia Blue Ant fala a um público muito específico, muito contemporâneo. Não sei se a obra se sairia bem no teste de idade.
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