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2 de dezembro de 2018
Terras do Sem-Fim, sétimo romance publicado por Jorge Amado, definitivamente necessita de uma continuação, e Jorge Amado sabia disto, tanto que escreveu e publicou São Jorge de Ilhéus no ano seguinte.

Terras do Sem-Fim é um livro que tem começo em Cacau, com a visão do homem-comum da lavoura cacaueira, passando pelo homem-herói Jubiabá, culminando com a visão da alta sociedade do Cacau, finalmente em Terras do Sem-Fim. É um livro que aborda as disputas e construções da aristocracia da região de Ilhéus, com base em crimes, subterfúgios, assassinatos, emboscadas e demais sortilégios. Centrado nas brigas envolvendo a família de Juca Badaró e Horácio, e como os órgãos legalmente constituídos trabalham - não para conter! - por amplificar estas disputas. Terras do Sem-Fim representa uma versão nossa de uma briga entre Montecchios e Capuletos - sem espaço para Romantismos - ou nas desavenças das famílias mafiosas apresentado em "O Poderoso Chefão".

Terras do Sem-Fim é um ponto de inflexão na obra de Amado, não por destoar da sua visão crítica da alta-sociedade cacaueira, mas por pela primeira vez a obra centrar na visão dos homens ricos - as duas famílias - e não exatamente do homem oprimido. Não que ele não aborde a opressão e a miséria, mas os personagens principais são constituídos por aqueles que se tornarão os próximos "senhores de engenho".

Talvez por sua influência marxista, Jorge Amado sempre trata determinados objetos como Fetiches, como se fossem objetos-animados que influenciam de certa maneira as atitudes humanas, e não o homem dando um significado ao objeto: em "Cacau", o próprio Cacau o é; em "Suor", sem dúvida o cortiço; finalmente, em"Terras do Sem-Fim", novamente o Cacau e a Terra. Amado sempre trata o fruto como se ele impregnasse nos pés do agricultor, impedindo-o de ir embora dali (exceção feita ao Cearense que, no início da obra, imigra de navio para a região).

O livro, por diversas vezes, fica muito circular nos preparativos para a disputa entre as famílias, deixando pouco espaço para o desenvolvimento da obra - a briga em si -. Quando, finalmente, inicia a disputa final pelas terras, parece-me que Amado dispunha de pouco espaço - ou tempo! - para melhor desenvolver a história.
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