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Avaliado no Brasil em 10 de dezembro de 2014
James Joyce é um escritor genial, porém, hermético, difícil de entender. Mais citado do que lido, infelizmente, são poucos que se atrevem a conhecer sua obra. De fato, "Finnigans Wake", apesar de ser um marco da literatura experimental, beira o incompreensível, mas existem outras opções mais acessíveis onde é possível descobrir que esse beberrão irlandês também é engraçado, zombeteiro , safado e, sobretudo, humano.

Um bom exemplo é seu primeiro romance , "A Portrait of the Artist as a Young Man". Nele, suas experiências literárias começavam a ganhar forma, portanto, são mais digeríveis. Porém, não desanime, se mesmo assim não entender uma ou outra citação durante a leitura, siga em frente, pois você terá bons motivos para rir e se emocionar.

Dividido em cinco capítulos e com fortes traços autobiográficos, esse romance apresenta passo a passo o amadurecimento intelectual e artístico de Stephen Dedalus desde quando ele era muito pequeno até a mocidade e, curiosamente, começa com uma estrutura que faz lembrar um conto infantil:

"Era uma vez e uma vez muito boa mesmo uma vaquinha-mu que vinha andando pela estrada e a vaquinha-mu que vinha andando pela estrada encontrou um garotinho engrachadinho chamado bebê tico-taco."

Para quem quiser entender a trajetória da personagem, basta decifrar seu nome. "St. Stephen" foi o primeiro mártir cristão e Dédalo projetou e construiu o labirinto do Minotauro, contudo, após se desentender com o Rei Minos, acabou preso na sua própria invenção e só conseguiu escapar, fazendo asas com cera e penas.

Pois essa também é a história de um menino católico, cheio de culpas e arrependimentos, criado para ser jesuíta e que ousou alçar vôo, traçando seu destino. Tornou-se um artista herético e libertário, capaz de muito jovem conceber uma teoria estética que nada mais é do que os fundamentos da obra de Joyce.

"... Você me perguntou o que eu farei e o que eu não farei. Eu lhe direi o que farei e o que não farei. Não servirei àquilo em que não acredito mais, quer isso se chame minha família, minha terra natal ou minha Igreja; e procurarei me expressar por meio de uma certa forma de vida ou de arte tão livremente quanto possa e tão totalmente quanto possa, usando em minha defesa as únicas armas que me permito usar: o silêncio, o exílio e a astúcia."

Escolhi essa edição por conta da introdução e notas de Jeri Johnson e os elogios dos avaliadores. Estava curiosa em conhecer Joyce no original, um desafio que pretendo encarar com a ajuda da edição em português da Alfaguara que adquiri há dias atrás.

Nota: Stephen reaparece em "Ulisses", o próximo romance do autor.
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