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10 PRINCIPAIS AVALIADORES
5 de julho de 2017
“Salomão disse: Não há nada de novo sobre a terra. Assim como Platão teve uma ideia, que todo conhecimento não era senão lembrança, assim Salomão sentenciou, que toda novidade não é senão esquecimento.”
Francis Bacon, Ensaios, LVIII

O conto “O Imortal” – o melhor do livro “O Aleph” – tem como introdução a pérola acima, talvez uma alusão de Borges ao “Épico de Gilgamesh” (ver resenha), cujo personagem vai em busca de sua imortalidade, ou talvez inspirado em sua leitura de Kim, de Rudyard Kipling.

“Em Londres, no início do mês de junho de 1929, o antiquário Joseph Cartaphilus, de Esmirna, ofereceu à princesa de Lucenge os seis volumes da Ilíada do poeta Pope”, cuja versão para o inglês permitiu sua independência financeira. “A princesa adquiriu-os; ao recebê-los, trocou algumas palavras com ele. Era, nos diz, um homem acabado mas culto, que manejava com fluidez muitas línguas. Em outubro, a princesa ouviu de um passageiro do Zeus que o vendedor tinha morrido no mar, ao regressar a Esmirna, e que o haviam enterrado na Ilha de Ios. No último tomo da Ilíada, ela encontrou este manuscrito. O original está redigido em inglês e é prodigo em latinismo. A versão que oferecemos é literal.” Resumido, temos assim o belo início do conto.

A narrativa é feita em primeira pessoa, e mostra inicialmente a busca do peregrino pela Cidade dos Imortais. Ao pé da montanha corre um riacho salobro; do outro lado, ergue-se a Cidade dos Imortais. Há outros nichos na encosta e no vale, bem como poços rasos de areia; desses buracos ele vê emergir homens de pele cinzenta, nus. O tribuno adivinha que são os trogloditas, tribo que não fala e come serpentes. Durante a procura, o personagem descobre que “todas as criaturas, exceto o homem, gozam de imortalidade, porque ignoram a morte”. O divino, o terrível, o incompreensível, é saber imortal. Alguns poemas de Homero podem ser encontrados ao longo da narrativa. Me pergunto: como é espantoso que Homero cuja face e atributos não podemos conceber, que viveu numa sociedade de cujos costumes e crenças temos apenas uma vaga ideia, numa língua que não sabemos precisamente como pronunciar, tenha descrito para nós nossas próprias vidas no presente, com cada felicidade secreta e cada pecado oculto. Boa leitura!
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