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21 de novembro de 2018
É difícil descrever o impacto que esse livro me produziu na primeira leitura (em 2014 ou 2015). E Nessa releitura (que talvez seja a terceira) percebo que será sempre contundente toda vez que eu atravessar esse livro.

Raduan Nassar não desperdiça a linguagem, o tecido de que são feitas as estórias importa tanto quanto as peças acabadas ou a função das mesmas. O jeito como ele escreve, a junção de sangue, sentidos, secreções e tudo o mais que compõe a humanidade é uma mistura que não cessa. Não há silencio enquanto se lê, não há pausa sem lirismo, não há descanso dos sentidos, não há excessos nem rebarbas.

Os sermões do Pai, abundantes de imagens, guardam em cada uma delas sua razão de existir. E o que importa das homilias não é somente a mensagem, mas também os exemplos as conduzem.

A natureza dúbia se faz presente em tudo: a santidade na vileza, e a sujidade na ordem. E não faltam o pomar, as pombas cujo unico sentido de tê-las é deixá-las livres para voar, a casa velha e a casa nova, os móveis que são mais honestos que as gentes.

E há André, um personagem-humanidade, encarna (com olhos, carne, saliva, semen, habilidades, sentimentos) tudo o que pode compor uma pessoa real. Talvez o protagonista seja mais real que o leitor.
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