Avaliações dos clientes

21 de outubro de 2016
1 - O Tesouro de Nossa Senhora dos Condenados (Cláudia Duguim)

Uma enorme dificuldade que eu vejo em histórias que se passam em um ambiente de piratas é representar toda a ambientação da marujaria e seus hábitos e costumes. A ida na taverna, as bravatas. as trocas de provocações. Cláudia Duguim me ofereceu isso aos montes neste pequeno conto. Aqui não temos uma narrativa em seu estrito senso, mas alguém contando uma história sobre uma famosa mulher e seus feitos espetaculares. O mais curioso é a maneira como a escrita é feita: parece ter alguém nos contando a história, mas se trata de uma narrativa em terceira pessoa em discurso direto. O narrador conta uma história sobre alguém que está contando uma outra história em uma taverna. É a história de uma contação de uma história. De fritar o cérebro, não? Podemos dizer que tempos dois narradores não-confiáveis. Aquele que nos apresenta a narrativa e aquele que está contando a história dentro da narrativa. Isso demonstra a habilidade da autora em lidar com duas camadas de narração.

Gostei também da maneira como a autora calca a história em uma base histórica. Vemos referências à colonização portuguesa e espanhola, como as colônias eram administradas. Além de todo o clima da pirataria da Idade Moderna. A própria taverna onde se passa a história serve como um bom local onde se passa a narrativa: todos são rufiões, ladrões e trapaceiros. E é muito legal como a autora conseguiu passar esse clima para as linhas do seu conto. A narração é tão não-confiável que até os personagens na história tentam corrigir uns aos outros. Mas, o leitor fica com a nítida impressão que mesmo a correção não quer dizer toda a verdade. Até porque dentro daquele ambiente a verdade é mutável; o objetivo da história não é relatar algo nos mínimos detalhes, mas divertir a plateia. Isso me remete à tradição dos griots, os contadores de histórias típicos de sociedades africanas mais antigas. A história era apresentada em sua essência, mas o miolo dela não precisava ser exato; precisava ser capaz de manter a atenção do público àquilo que era contado.

E acho que no fundo esse era o objetivo da autora: manter a atenção do leitor ao que ela estava apresentando no conto. Ficamos curiosos sim para saber o que vai acontecer com aquela mulher. Aliás, seria o nome dela uma homenagem a Jane Eyre e Jane Austen (Eyre Austin)? Outro ponto positivo da história esse de nos mostrar uma personagem feminina forte. Enfim, recomendo bastante a história, ela tem seus altos e baixos, mas no fim é divertida e te deixa preso até o final quando a autora dá uma reviravolta interessante. Digamos assim: nada se resolve, mas todos voltam a beber.

2 - Os Pilares de Melkaert (Ana Lúcia Merege)

O que pode ser mais interessante do que apresentar piratas singrando os sete mares na Idade Moderna? Ora, piratas na Antiguidade. A ideia de apresentar uma história de swashbuckling na Antiguidade não é nova, mas é a maneira como a autora apresenta a narrativa e os personagens é que me chamou a atenção. Assim como o conto acima, Ana Lúcia calca a sua história em elementos históricos de forma a dar mais "veracidade" à história. Mas, ela insere um elemento mágico para quebrar um pouco o "realismo" do que está sendo contado. Aqui temos uma boa e velha história de perseguição que vai tomando rumos até cômicos (quando eles invadem a cidade disfarçados) na metade da história.

O que impele a viagem de Balthazar é seu desejo de vingança com Alexandre, o Grande e sua rivalidade com outro pirata conhecido como O Tirreno. No fundo a história é sobre vingança e arrependimentos. Arrependimentos no sentido de corrigir aqueles "se eu tivesse feito isso" ou "se eu tivesse feito aquilo" certas coisas poderiam ser diferentes. Quando o sacerdote de Thoth fala ao pirata o que o item que ele deseja é capaz de fazer eu logo imaginei o que viria a seguir. Piratas não são famosos por manterem suas palavras. A traição viria em algum momento. Mas, eu gostei da maneira como a autora conduz o leitor a imaginar certezas que não existem. No final, a autora surpreende o leitor com um plot twist na atitude do pirata e posteriormente no que acontece a partir do desenrolar dos momentos finais. As últimas duas páginas são de fazer você exclamar "que diabos?". Muito boa narrativa apesar de em alguns momentos eu ter me dispersado da narrativa.

No geral, recomendo os dois contos resenhados aqui. São curtos, porém apresentam suas narrativas e mensagens da maneira como as autoras imaginaram.

3 - Vingadora (Paola Siviero)

Neste conto, Paola Siqueira nos mostra um homem que se tornou pirata em busca de uma vingança cometida contra ele por um membro de sua família.

O conto é bem direto tratando de um ataque à ilha principal de um reino que se encontrava em guerra com outro país. Os piratas da corveta Vingadora encontram o lugar desguarnecido, tornando aquilo que seria impossível (invadir a capital do império) em algo simples. Essa é a proposta inicial da história. A partir daí somos guiados em uma narrativa em primeira pessoa por um capitão que orquestrou este ataque porque tinha uma rixa a ser resolvida. O problema desse conto está justamente no protagonista: não consegui sentir empatia pela situação dele. Não vou saber responder à autora o motivo para isso, só que toda a proposta para a narrativa da história me pareceu genérica demais. Não sei, pode ser novamente a minha implicância com narrativas em primeira pessoa falando mais alto do que eu. Faltou aquele impacto, aquela emoção. Mesmo quando o personagem se encontra em perigo, aquilo não me fez em me importar mais.

E todo o tema de pirataria me pareceu um pouco perdido na história. Okay, ele é um capitão de um navio de piratas e que depois acontece uma situação com a sua tripulação. Mas, ele poderia ser qualquer outra coisa: um desertor, um prisioneiro, um soldado, um capitão, um traficante. Ser pirata ou não, acabou não fazendo a menor diferença para o resultado que a autora queria alcançar com a história. Enfim, é uma história mediana e que não vai custar ao leitor mais do que uma ou duas sentadas. Vale a pena experimentar para saber se a história vai funcionar para você. Para mim, não resultou.

4 - Barracuda Negra e a Máquina Misteriosa (J.M. Beraldo)

Está aí uma história de piratas legal. Quando eu imagino pirataria, imagino ousadia, destemor. E é isso o que o autor proporciona aqui com uma personagem completamente maluca em uma aventura que acaba se revelando extremamente divertida. Falta isso em algumas histórias atuais; esse clima leve e divertido.

Primeiro eu preciso aplaudir o autor por inserir uma história completamente descompromissada dentro de seu universo maior. Sim, senhores leitores, as aventuras da capitã Karyan acontecem no mundo de Império de Diamante, próximo a Isaamar. Eu consigo enxergar já uma construção de mundo em andamento, já que o próximo livro da série, Último Reino se passará em algumas das localizações citadas no conto. Coerência total!! E um nível de planejamento muito bom!

Apesar de ser um conto curto, gostei da personalidade da capitã Karyan. Ela é interessante, tem uma personalidade forte e decidida. Não é uma mulher forte e superpoderosa, mas uma pirata que quer obter o lucro a qualquer preço. Sua tripulação é dispensável se estiver no caminho de seus objetivos. Karyan não é de planejar suas ações, preferindo entrar de cabeça nas coisas. Gostei da forma como o autor criou um personagem que eu quero ver mais dela e o fato de ela ser uma mulher também. E o melhor disso: ela não é um personagem estereotipado. Acredito que se o autor for pegar a personagem para alguma outra história, ele irá delinear melhor os atributos dela.

5 - #BonnyRead (Fabiana Madruga)

Uma das coisas que mais me agradam em contos é quando o autor pega uma proposta e surpreende de alguma maneira. Ou faz alguma experimentação nas suas técnicas de escrita. O conto de Fabiana Madruga cai no primeiro caso. De certa forma, ela escreve sobre piratas, mas piratas contemporâneos em busca do ouro de outras pessoas. Mas, ao invés de roubá-los através da força física, eles utilizam a inteligência e a esperteza para cometer seus crimes.

Nada como apresentar uma história sobre pirataria nos dias de hoje. Temos duas jovens aventureiras que fazem a venda de bolsas de grife falsificadas. Isso até que surge um terceiro elemento na equação que faz a amizade inseparável das duas amigas balançar. É a partir daí que a história ganha ímpeto. Gostei demais da reinterpretação apesar de eu achar a escrita com alguns problemas de encadeamento. Achei a leitura um pouco lenta em alguns trechos, mas nada que comprometa a história como um todo.

O conto aprofunda muito o estudo de personagens. A autora foi muito feliz em construir personagens reais, com qualidades e defeitos inerentes a eles. O que vemos nesta história é que não temos pessoas boas ou más, apenas interesses entre cada um deles. Cecília quer obter dinheiro e conforto e Laura é uma manipuladora nata. Achei muito interessante a maneira como a autora vai colocando diversos complicadores à história ao mesmo tempo em que mostra diversas camadas das personagens. Para aqueles que gostam de um bom estudo de personagens fica aqui a dica.

6 - Mais Pesado do que o Ar (Melissa de Sá)

Melissa de Sá pegou outro tema muito comum em histórias de pirata e construiu uma narrativa fascinante. O ato de deixar tudo para trás em troca de uma outra vida constitui outro dos clichês comuns nesse estilo de história. Mas, eu sempre insisto, não é o clichê em si, e sim a maneira como o autor pega uma ferramenta narrativa e a torna parte de sua história. E a autora faz isso de uma maneira muito competente.

A premissa da história é bem simples: Amelia é uma jovem herdeira de uma empresa de dirigíveis que se vê perdida depois que seu pai morre e repleta de dívidas com as quais lidar. Ela pega suas coisas e foge imaginando viver uma nova vida longe de casa. Só que ela contava com o embarque de piratas no dirigível onde ela se encontrava. É aí que sua vida vai mudar para sempre. A história é bem simples e direta, ou seja, o leitor não vai ter nenhuma dificuldade para entender a proposta da autora. Por esse motivo, a construção de uma protagonista boa o suficiente para carregar a história é fundamental. E, para a proposta do conto, Amelia consegue fazer isso de uma maneira bastante competente. Uma narrativa em terceira pessoa que se foca na protagonista nos permite entender bem o que acontece ao seu redor ao mesmo tempo em que podemos saber o que se passa na mente de Amelia.

A narrativa tem começo, meio e fim bem delineados, mas a autora se permite até deixar um espaço para que o leitor consiga imaginar o que pode acontecer à protagonista em futuras aventuras. Eu queria ter visto um pouco mais da capitã dos piratas, mas okay, ficou de bom tamanho. Ah, aí vai outro destaque para o conto da Melissa: não se trata de um capitão pirata, mas de uma mulher. E a tripulação a bordo é formada principalmente por mulheres. Poxa, eu queria ver mais disso. Me surpreendeu positivamente. Percebam aquilo que eu disse no começo da resenha: não é o clichê, mas a forma como você o utiliza.

Enfim, leiam, é divertido e interessante. E isso me deixou curioso para ler outras coisas da autora.

7 - O Tamanho dos Sonhos (Sabrina Mota Marcondes)

Esse conto escrito por Sabrina Mota vai tocar em outro dos tropes das histórias de piratas: a liberdade oferecida por uma vida sem seguir regras. Para isso, a autora vai criar algumas situações bem inusitadas. Apesar disso, senti que a história precisava de um pouco mais de espaço. De qualquer forma, a autora conseguiu passar de maneira brilhante aquilo que ela queria com a história.

Estamos diante de uma narrativa em primeira pessoa com a protagonista, Dot, que se vê diante de um dilema: com a morte de sua irmã, que era tudo para si, sua bússola, o que fazer agora? Mesmo eu não gostando desse estilo narrativo, aqui a autora soube passar muito bem o que ela queria através da visão mais próxima empregada em sua história. O leitor é capaz de sentir a angústia no coração dela e isso é marcado pelas expressões usadas por ela na história. Uma coisa que chama a atenção é que nas partes que se passam no mundo físico quase não existem diálogos enquanto que as partes no mundo dos sonhos são repletas deles. Não sei se isso foi proposital, mas essa pequena característica mostra o tipo de solidão vivida pela protagonista em seu quarto que resume bem a sua vida fora de compasso.

Os demais personagens de apoio não são muito bem apresentados. Acho que a autora poderia ter tido mais espaço para trabalhar minimamente os personagens. Eles ficaram com um aspecto muito estereotipado simplesmente porque não houve tempo para trabalhá-los adequadamente. Temos o fortão calado, o imediato fiel, a mulher descolada e o resto da tripulação. A relação da personagem com a mãe também poderia ser mais explorada porque ela vai servir como elemento narrativo mais à frente na história. Ah, a protagonista quer buscar a mãe. Por que? Existe uma marcação nas características que diferenciam Dot e Lucy, mas isso não ficou muito explícito para mim.

Para mim, o tema da liberdade para viver aventuras é um dos mais gostosos de se ler dentre os tropes de piratas. É aquele onde o autor ou autora pode se soltar mais e apresentar uma história mais aventuresca e menos preocupada com aprofundamento do mundo ou qualquer coisa do gênero. Nas descrições de cenários dentro do mundo dos sonhos que compõem o elemento fantástico da história, a autora consegue passar muito bem esse anseio por liberdade da protagonista. A personagem está sempre olhando para o horizonte, sentindo o cheiro do mar, curtindo as aventuras típicas de piratas e até incorporando um pouco a persona de capitã. Ou seja, me diverti horrores lendo essa história. Minha crítica é essa que eu postei: eu senti que a autora precisou se restringir um pouco na hora de contar a sua história. E esta é uma história que precisava ser explorada um pouco mais.

8 - Porto Vermelho (Luana Tsuki)

Histórias que mudam progressivamente o seu rumo costumam surpreender os leitores. Já havia comentado sobre um chamado Rosas (da autora Ana Lúcia Merege) há algum tempo atrás em que a autora começa com uma escrita doce e revela um lado terrível ao final. Aqui temos algo semelhante. Luana começa sua história apresentando um personagem que buscou sua liberdade após anos "preso" por pessoas que queriam cuidar dele ou suas próprias responsabilidades. Agora, em um navio mercante ele busca reencontrar a si mesmo. Mas, quando o seu navio é atacado pela tripulação da capitã Dulce, tudo muda. E o final promete ser algo aterrorizante.

A história é muito centrada em Miguel e o apresenta de uma maneira x para o leitor. Quando a autora faz a mudança de estilo, a gente demora até entender o que realmente está acontecendo. Apesar de a narrativa ser em terceira pessoa, a sensação que se tem é de que a mesma acontece em primeira. Vemos o que o protagonista vê, mas aos poucos vamos nos dando conta de que o narrador não é confiável. Ele nos coloca em uma situação melancólica em que o personagem parece estar reavaliando os seus valores, mas mais à frente tudo muda e vemos um lado selvagem que estava sendo obscurecido por toda a claridade que o narrador quis nos apresentar. E em um determinado momento da história, o ponto de vista passa para a Dulce que nos apresenta a sua visão sobre o que acontece após o encontro com a tripulação da qual Miguel fazia parte.

A história traça dois contrastes: Miguel, que não deseja mais responsabilidades, fazendo de sua vida o que lhe dá prazer; e Dulce, que por conta de sua difícil infância, adota para si um grupo de desajustados que se tornam quase como filhos. Gostei desse contraste, e eu acho que a autora poderia ter aproveitado melhor isso para colocar duas visões de mundo em choque. Achei que o elemento sobrenatural acabou se sobrepondo ao tema que estava ali gritando para ser trabalhado. Mas, eu gostei muito da escrita da autora e gostaria de ver mais coisas publicadas por ela.

Ah, sim, a autora consegue entregar algumas cenas de revirar o estômago no final. O suspense e a tensão presentes tanto na tomada do navio por Dulce como depois na taverna são bastante palpáveis. Não sei se a autora gosta do gênero, mas sinto uma veia de terror aqui. Eu pegaria um livro com essa temática da Luana.

9 - Sinos do Inferno (Albarus Andreos)

Referências tecnológicas são sempre uma aposta arriscada na hora de trabalhar contos que partem de uma temática mais atual ou até meio futurista. Quem me conhece, sabe o quanto eu não gosto de Neuromancer. E o conto do Albarus se arrisca muito nesta seara, nos afogando em termos saídos de jargões militares ou ferramentas tecnológicas. Acho que o espaço seria mais aproveitado se o autor tivesse trabalhado melhor os personagens que faziam do navio ou até as motivações dos piratas por si. Para mim, a história não funcionou, mas quem sabe para você, leitor, surta mais efeito.

Uma coisa que eu gostei foi da proposta do conto. O autor me surpreendeu com a maneira como ele pegou o tema "Piratas" e trouxe para algo bem atual. Para quem leu ficção científica e imaginou um futuro distante, não se trata bem disso. Acho que a melhor maneira de definir Sinos do Inferno é colocá-lo nos dias de hoje diante de tantos escândalos de Wikileaks e milhões de informações guardadas na nuvem. O que alguém poderia fazer com esse tipo de informação? Existem pessoas interessadas em destrui-las? Vendê-las? Eu fiquei meio chateado com a quantidade de referências tecnológicas, mas tem um momento em que o conto começa a revelar suas verdadeiras intenções. É nesse ponto que a história brilha.

Outro ponto que eu não gostei foram os personagens. Não entendi direito quem eles são, o que pretendem. Os diálogos são repletos de frases de efeito ou gracinhas de uma tal maneira que isso acaba tirando um pouco a atenção do leitor. Posso estar enganado, mas vi muito de Cory Doctorow na escrita do Albarus... e não o lado do Doctorow que eu gosto (eu adoro Scroogled e detesto Pequeno Irmão). Novamente, não sei se a minha avaliação acabou afetada com o fato de eu não curtir esse estilo de histórias logo de partida, mas prefiro ler outra coisa do autor para ver se eu pego a maneira dele de construir histórias e criar personagens. É um conto curto, então recomendo caso você goste de histórias que envolvam espionagem e tecnologia.

10 - Piratas Não Conhecem o Perdão (Karen Alvares)

Quando eu comecei a ler esta história, tomei um susto. Aliás, até estranhei a presença de um conto da Karen neste tipo de coletânea. Estou mais acostumado a vê-la escrevendo terror ou algo mais contemporâneo. Piratas Não Conhecem o Perdão foi uma jornada ao universo da fantasia feito pela autora. E se trata de um conto muito competente e entrega bem aquilo que a autora deseja.

Thomas Cavendish é o capitão de um navio pirata em busca de riquezas e glórias. Ele está em uma cidade se divertindo após uma temporada de pilhagens. Até que ele é abordado por uma estranha mulher chamada Mafalda que deseja a todo o custo entrar para a tripulação do navio de Cavendish. Como qualquer pirata homem reagiria, Cavendish acha engraçado o pedido de Mafalda. Isso até o momento em que ela estala os dedos e a mesa onde ele estava, explode. Só então o capitão pirata percebe que está lidando com uma bruxa astuta e poderosa. Inicialmente ele captura e aprisiona Mafalda para só então descobrir que ele é que se tornou prisioneiro dos poderes dela. Mas, Mafalda esconde um terrível segredo.

Primeiramente é preciso destacar a excelente ambientação da história. Apesar de ter um tom light e brincalhão em algumas cenas, o leitor se sente em histórias como as de Jack Sparrow ou Erroll Flynn. Tem a cidade, a taverna, o navio e a busca por tesouros. Tudo confere! Até mesmo o comportamento dos personagens é típico de um cenário de pirataria. Claro que Karen opta por dar esse tom leve, então nada de intrigas políticas ou personagens desviados; apenas a boa e velha busca pelo tesouro.

Podemos dizer que a história se trata do relacionamento entre Cavendish e Mafalda. Cavendish começa como o típico capitão de navio durão e bruto. Aos poucos ele vai sendo conquistado pelo jeito malicioso de Mafalda. Pouco a pouco vamos vendo a mudança dos sentimentos do personagem e como estes são conflituosos a princípio. Até ele aceitar seus sentimentos e se entregar à paixão demora um pouco. Até porque Mafalda não é uma pessoa fácil de lidar. Além disso Cavendish precisa lidar com o passado na forma do capitão do Esqueleto, um rival seu em busca de vingança. No final da trama, tudo se resume à Cavendish e Mafalda e o que acontece no final é fruto do desenvolvimento realizado ao longo do conto.

Mafalda é uma personagem sensacional. Ela é o retrato da mulher em suas diferentes facetas: menina matreira, bruxa poderosa e mulher em busca de vingança. Como o próprio Cavendish se refere a ela, Mafalda é uma pirata, bruxa, ladra e trapaceira. Karen consegue mostrar tudo isso em um curto espaço de páginas. Só por aí já conseguimos visualiza a profundidade da personagem que ela criou. Gostaria muito de ver o que Mafalda e Cavendish aprontaram a seguir. Essa é uma história que vale muito a pena ser continuada.
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