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6 de abril de 2019
Ouvi falar muito de Conceição Evaristo até comprar esse livro, que acabou sendo o segundo dela que eu leio. Nos 15 contos de Olhos D'água, a autora dá voz às dores e angústias daqueles que normalmente não vemos na literatura. Essa foi minha escolha de março para o #DesafioLeiaRepresentatividade2019, em que deveríamos ler um livro escrito por mulher, que trate de minorias sociais. E eu escolhi muito bem!
Os marginalizados, silenciados, violentados. Empregadas domésticas, crianças assassinadas, homens que vivem no crime, mulheres que nunca experimentaram o amor ou nunca tiveram um tempo para si mesmas. É deles que Conceição fala.
A escrita dela é sobretudo simples, tanto na linguagem utilizada, que as vezes reproduz a fala coloquial, como na estrutura das narrativas. Mas essa simplicidade me encantou, porque Conceição Evaristo tem o dom de unir duas palavras para sintetizar ideias. Quando fala de "meninas-mulheres", "dedos-desejos", "águas-lágrimas", "corpo-coração", une palavras inusitadas para criar ideias únicas. Isso está presente em quase todos os textos.
Os contos de que mais gostei foram "Olhos d'água", "Maria", "Beijo na face" e "Ayoluwa, a alegria de nosso povo". Um deles me deixou uma tristeza profunda. Outro retrata uma relação linda entre duas mulheres que descobrem se amar.
Eu já conhecia a prosa curta da autora, porque meses atrás li "Insubmissas lágrimas de mulheres", e agora tenho vontade de ler os romances e poemas dela. Conceição é uma voz respeitada da nossa literatura, no meio independente, por tratar da subjetividade vivenciada por pessoas negras, especialmente mulheres em suas obras. Isso também acontece nesse livro, e com muita sensibilidade. Recomendo demais a leitura.
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