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50 PRINCIPAIS AVALIADORES
12 de novembro de 2018
Ionesco, nesta peça, ao mostrar a transformação dos homens em rinocerontes faz uma alegoria às ideologias que levam o homem à selvageria, à brutalidade, abandonando seus valores morais em nome de ideais supostamente superiores. Assim, o texto é uma crítica clara a ideologias absolutistas que reduzem o homem a um animal. Um aspecto interessante do texto é que mesmo essas ideologias que bestificam o homem têm teses e argumentos muitas vezes sólidos que convencem as pessoas, e nesse ponto entra o incrível personagem do Lógico. Na verdade, é como se essa personagem brincasse com a lógica, pois ela não pode ser utilizada para provar a si mesma e a depender das limitações dos argumentos pode-se recair em silogismo que ele faz durante boa parte do primeiro ato (ex: todo gato tem quatro patas, meu cão tem quatro patas, logo meu cão é um gato. A lógica é perfeita, mas a questão é que o universo foi muito limitado, o que leva a conclusões errôneas).
Berenger, o protagonista anti-herói, que não cultiva o espírito, pelo contrário anda com descaso e é um beberrão é o único a perceber que a rinocerite reduz os homens a animais. Mas as pessoas são seduzíveis, ou no caso da obra são contaminadas pela epidemia de rinocerite, a ideia pode parecer absurda, mas é bem palpável; um filósofo, amigo de Ionesco, confessou-lhe que durante uma passeata nazista em que Hitler saudava o povo, ele se sentiu extremamente atraído por aquela multidão que pululava e vibrava com o ditador, ele se sentiu contaminado por aquela febre e ali naquele momento quase aderiu ao nazismo. E isso é o que Ionesco nos mostra nessa obra, como é fácil deixar-se ser levado por ideais totalitários que nos reduzem a bestas.
Acho importante deixar bem claro que o autor, ao menos para mim, não está fazendo uma crítica a todo tipo de ideologia, isso seria burrice, pois quando você se põe contra uma ideologia é porque você tem outra contrária. O que o autor quer mostrar são os perigos que moram nas ideologias totalitárias que nos reduz à animais irracionais, pois sequer pensamos como nos mesmos, apenas repetimos o que o sistema nos induz; para mim o que o autor quis mostrar foi que sempre devemos ter nosso pensamento crítico e que isso é muito difícil em um regime totalitário, seja ele qual for.
Outra leitura da obra, essa mais intimista, mas não menos universal é a da posição do ser humano na sociedade, de se sentir sozinho sempre, mesmo quando cercado por multidões, de ser no fundo no fundo uma ilha inalcançável, e assim fica Berenger ao ver todo o seu mundo reduzido a nada pela rinocerite.
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