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18 de novembro de 2017
Não gosto muito de demorar a escrever minhas impressões sobre um livro porque aquele afã do envolvimento com a leitura já está meio adormecido. Mesmo assim, "O Primo Basílio" é uma obra difícil de esquecer, quer seja pelo romance adúltero, que coloca em evidência o tédio que caracterizava a vida das mulheres da época, de quem só se esperava que fossem boas esposas e mães e que não ambicionassem mais nada, quer seja pelas diferenças de classe, que colocavam os empregados como meros serviçais, sem direito a uma vida particular e digna, como se não pudessem almejar nada mais na vida.

À parte todo tédio, euforia e, ao fim, angústia de Luísa, que nos afloram as mais variadas reações como: incredulidade, raiva, pena, menosprezo, escárnio, compaixão... a grande personagem deste livro, na minha opinião é Juliana. Juliana que nasceu pobre e sem opções, que nunca foi bonita, que passou a vida servindo e odiando cada vez mais suas patroas, aquelas mulheres mimadas que tinham tudo e ela nada; Juliana, que por não conhecer o amor, não sabia apreciá-lo em ninguém. Que era só ódio e amargura. E que teve como ápice de vida a missão de destruir uma mulher para poder lucrar com isto e se sentir alguém.

É um livro maravilhoso ao qual só não dou nota máxima por umas certas firulas de Eça de Queirós que tornaram a narrativa maçante em alguns trechos.

Por fim, como vi a minissérie muito antes de ler o livro, impossível não associar Giulia Gam e Marília Pera à Luísa e Juliana, principalmente a formidável Marília, numa interpretação inesquecível.
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