Avaliações dos clientes

50 PRINCIPAIS AVALIADORES
16 de maio de 2018
Acho que vale a pena começar pelo que este livro não é: não é um livro com ogros, dragões, fadas, bruxas e outros seres místicos; com batalhas acontecendo constantemente, uma luta do bem contra o mal. Apesar de encontrarmos esse ambiente de fantasia, o livro não é sobre isso. O tema do livro é a memória e toda a fantasia serve de pano de fundo (um excelente pano de fundo) para fazer alegorias com a realidade.
O livro é sobre a guerra e a paz; sobre o ódio e o amor; sobre a vingança e o perdão; sobre a vida e a morte; e apenas um tema liga a todos nesta incrível narrativa: a memória. O autor levanta diversas questões sobre ela, mas sem se preocupar em respondê-las, pois afinal, será que existe uma resposta? Por exemplo, ao vivermos ao lado de uma pessoa por muitos anos (seja esposa, marido, mãe, pai, filho ou irmão) é possível que um dia ela nos magoe, então, deveríamos esquecer o que ela nos fez? Ou deveríamos manter isso na memória? Talvez esquecer seja ruim, mas igualmente ruim não seria deixar que esta memória ruim apagasse todas as memórias boas que compartilhamos com aquela pessoa? Substituir muitas boas memórias por apenas uma ruim, afinal é uma boa escolha? O livro não pretende responder esses tipos de perguntas, como uma boa literatura, apenas as levanta, cabe ao leitor decidir.
Ainda, o livro é repleto de metáforas e alegorias, sobre as guerras e as barbaridades e levanta, também, um questionamento interessante: matar dezenas de milhares para salvar centenas de milhares é uma decisão correta? decisão que pode caber um homem? Aqui, pareça clara a intenção de traçar paralelos com as bombas de Hiroshima e Nagasaki. Mas o livro vai além nos questionando se uma paz baseada num massacre é justa, ou mesmo, se apagar da memória tais fatos é a única solução para fugir desses dilemas; parece que é na solução individual que o autor indica a solução universal: o amor.
O livro trata, também, de um tema extremamente pessoal: a morte. Há uma bela metáfora com um barqueiro que leva pessoas a uma ilha; ao lembrarmo-nos de Caronte, o barqueiro da mitologia grega, então, nós podemos compreender melhor essa metáfora e entender que a travessia, que a pessoa faz com o barqueiro, é a travessia da morte. Ainda, na metáfora, o barqueiro trapaceia alguns casais ao dizer que eles ficarão juntos na ilha, mas acaba levando apenas um dos dois, e depois do outro reclamar, então o barqueiro explica que a apenas alguns casais é permitida a travessia juntos, à apenas aqueles que compartilharam de fato uma vida juntos. Essa armadilha apesar de parecer ardilosa, nos mostra a beleza do amor: para aqueles que viveram juntos, mas apenas se suportaram, a única coisa que sentirão é falta de quem se foi, pois, de alguma forma era necessário na sua rotina/vida. Já para aqueles que se amam, se complementam, que se magoaram e que o amor os uniu novamente, a morte não é capaz de separá-los, eles continuarão vivendo juntos, num ambiente ainda mais terno: no coração.
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4,1 de 5 estrelas
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