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21 de abril de 2016
O romancista e escritor político Daniel Defoe (1660-1731) teve uma vida repleta de altos e baixos, não só por conta de suas opiniões que renderam apoio ou perseguição dos poderosos, mas também pelo seu desastroso tino comercial. Foi um especulador, vítima de inúmeros reveses, que só passou a escrever ficção para poder sustentar a família no final da vida. Mesmo assim morreu pobre, mas legou à humanidade um dos maiores clássicos da literatura: "Robinson Crusoé".

Publicado originalmente em folhetins e baseado nas memórias de viajantes, especialmente, do marinheiro escocês Alexander Selkirk, o romance apresenta a história de um náufrago que acaba isolado numa ilha aparentemente deserta por vinte e oito anos. Seu grande desafio é tentar sobreviver com um mínimo de civilidade, preservando a lucidez num mundo adverso e muitas vezes, pouco compreensível.

O tradutor Sérgio Flaksman afirma que a narrativa é um drama psicorreligioso de sobrevivência, numa história de aventura. Perfeita definição, inclusive, vale atentar para a nítida influência da Bíblia no enredo, fato que não surpreende, a medida que Defoe foi criado de acordo com a religião presbiteriana e por pouco, não seguiu a vida eclesiástica.

Na realidade, o principal enfoque da obra trata da transformação do protagonista através do autoconhecimento, alcançado em isolamento e movido pelo despertar de sua consciência religiosa. Somente através da fé na Providência Divina, ele consegue superar as limitações e obstáculos que tem pela frente, encontrando consolo e mantendo a serenidade para concluir sua jornada de volta à Inglaterra.

Existe uma continuação do livro, bem menos conhecida. Ela relata o retorno de Robinson Crusoé à ilha, suas novas viagens e reflexões. Lançada no mesmo ano da primeira parte, 1719, aparentemente, seu destino é o ostracismo. Não encontrei o livro à venda em português e, em inglês, existem poucas edições disponíveis.

Sugiro como leitura complementar o livro "O Senhor das Moscas", de William Golding. Nele, um grupo de crianças acabam isoladas numa ilha deserta, após a queda de um avião que tentava levá-las para longe de uma guerra. Ao contrário do livro de Defoe, Golding revela sua descrença na solidariedade e na capacidade do ser humano promover um mundo melhor, pois suas personagens regridem à selvageria.

Finalmente, se você aprecia autores pós-modernos, aposte em "Foe", de Coetzee, uma releitura fascinante dessa história assim como no filme "Cast Away" ou "Náufrago" (2001) com Tom Hanks.
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