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50 PRINCIPAIS AVALIADORES
10 de junho de 2019
Eu cheguei ao final da leitura deste livro sem saber direito se tinha gostado ou não da leitura. Em geral, no meu caso, isso é uma coisa boa, pois me faz mastigar a leitura que fiz por dias a fio: o que ele quis dizer? por que ele escreveu aquilo? qual o sentido de tal passagem? Todos esses questionamentos me surgiram ao final da leitura e talvez caiba ao leitor encontrar o sentido de tudo.
Há diversas passagens na obra em que o autor se utiliza de situações absurdas que provavelmente representam metáforas sobre o que está ou será descrito na obra, mas se são metáforas são extremamente herméticas. Contudo, o que mais me incomodou na obra não foram os pequenos fatos absurdos que surgem durante a leitura, prendem o leitor, mas que não têm uma explicação óbvia, não, o que mais me incomodou foi não conseguir vislumbrar uma conexão sensata entre as duas narrativas que correm em paralelo no livro. Percebe-se que há elementos que poderia unir as duas, mas esses elementos jamais criam uma conexão e assim as histórias continuam paralelas, sem jamais se tocarem.
Apesar de tudo, não diria que não gostei da leitura, como disse anteriormente, não sei se gostei ou não, mas não consegui parar de ler, o livro nos prende um pouco mais no início, um pouco menos no final, mas impele o leitor sempre uma página à frente e ao final da leitura não é fácil não continuar pensando sobre o que se acabou de ler.
Até aqui falei apenas de gostar ou não do livro, mas de forma objetiva, o livro representou para mim uma grande metáfora sobre a odisseia da vida humana e é isso que os dois personagens representam (Kafka e Hoshino) em suas jornadas pessoais rumo a um destino pessoal, tentando fugir dos seus destinos ou profecias (no caso de Kafka, da profecia/maldição de Édipo que o pai lança sobre ele), destinos e profecias esses que para mim representa uma tentativa de fuga da condição humana, do absurdo de existir, uma tentativa de dar algum significado para a vida. Assim, os dois personagens muito diferentes entre si: o primeiro um excelente leitor e o segundo que nem sequer sabe ler e que por isso têm visões diferentes da vida, mas que aos seus modos tentam encontrar a plenitude da vida.
E essa odisseia que os protagonistas percorrem é o grande mote da obra: as perdas e conquistas que vão tendo durante o caminho; as pessoas que partilham das suas vidas; e como suas atitudes impactam na vida das pessoas ao seu redor; como eles deixam um pouco de si nos outros ou carregam um pouco dos outros em si. É essa vontade de seguir em frente, esse compartilhar da vida, ser algo além de si mesmo, é isso tudo que pode dar algum sentido à todo o absurdo da existência, um pouco de ordem ao caos: a única maneira, talvez, de fugir do destino absurdo de Édipo.
“A vida é realmente uma bosta, não havia como escapar dessa verdade, pensou. Ele apenas não sabia disso quando era pequeno.”
“A vida tem sua graça porque as coisas não saem do jeito que a gente quer.”
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4,6 de 5 estrelas
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