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2 de abril de 2018
Nietzsche apresenta uma crítica com grande base teórica à metafísica, e por consequência, ao dogmatismo. Quando nos deparamos com a célebre frase "deus está morto", é preciso atravessar os preconceitos iniciais, pois não trata-se de um ataque ao cristianismo, e sim à forma de pensar que o subjaz, isto é, uma crença estéril em uma ideologia transcendental, que por sua vez não dialoga com a vida presente, a vida do agora. Nietzsche se indaga, e por consequência afirma, que ao olhar e buscar o além, isso não seria senão uma forma de denegrir o aquém, promovendo sobretudo a decadência da vida. Para Nietzsche, o principal fecundador da ideia metafísica na filosofia ocidental foi o nosso velho e querido Platão, cujo germe se solidificou com a Teoria das Formas (ou Teoria das Ideias). O mundo inteligível de Platão nada mais é que uma categoria transcendental do pensamento, e portanto, metafísico.

Ao caracterizar e eleger o pensamento metafísico como correto unanimemente, ocorre a promoção do dogmatismo na medida em que o qualifica como critério de verdade, isto é, criam-se os famosos dualismos: aparência/essência, verdade/erro, corpo/alma e etc. Em Nietzsche, os dualismos são originados como resultado de uma mente decadente, pois crê na existência transcendental, e portanto culmina no favorecimento de um lado em detrimento do outro. Doutra maneira, não haveria dualismos sem o pensamento metafísico, pois somente o aquém importa, e com o aquém não há dualidade, há somente a vida como ela é. Com efeito, Nietzsche propõe um retorno ao aquém, à vida presente e ao ato momentâneo, e não ao transcendental, não à busca pela verdade, mas sim a reafirmação da vida como ela é no presente, uma vida de criação, pois o homem é dotado de capacidade criativa, e pela criatividade encontrará sua felicidade e liberdade.

Não recomendo fazer uma leitura nua e crua de Nietzsche, apesar de recomendar este livro como uma leitura degustativa e incipiente; devo dizer que talvez seja necessário ler artigos ou assistir vídeo-aulas que introduzam o pensamento nietzschiano. Eu comecei lendo pela obra "Além do bem e do mal" e nem cheguei a terminá-la pois achei bem incompreensível, e depois tentei este livro em conúbio com uma disciplina sobre Nietzsche na Universidade, o que esclareceu totalmente grande parte do pensamento, me fazendo, inclusive, a retomar a leitura do "Além do bem e do mal". Recomendo alguns artigos pontuais, mas que são bem gerais em certa medida, da professora Tereza Cristina B. Calomeni, que podem ser encontrados nos "Cadernos de Nietzsche".
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