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30 de julho de 2017
O romance Fahrenheit 451, que consagrou Ray Bradbury mundialmente, foi publicado em 1953 e filmado em 1966 por François Truffaut.
O título refere-se à temperatura em que o papel pega fogo e queima.
A história se passa numa sociedade distópica, em que os livros foram proscritos e na qual o simples fato de manter obras literárias ou filosóficas em casa constitui-se um crime.
O livro foi escrito em 1953 mas sua ação se passa num futuro não determinado. No entanto, nada do que se imagina sobre como serão as cidades é visto na obra. Ao contrário, o progresso industrial vem acompanhado da deterioração do ambiente urbano. Mas uma característica interessante é que todas as construções são feitas com materiais à prova de fogo. Ou seja, para que serviriam os bombeiros?
A função dos “bombeiros” nesse ambiente é justamente o oposto do que conhecemos hoje: eles incendeiam livros, evitando assim que os cidadãos sejam afetados pelo seu conteúdo. Em seu lugar, liberdade para se entupir de narcóticos e a constante presença da televisão.
O personagem principal é um bombeiro: Guy Montag. Ele é casado com Mildred, uma mulher que passa o dia diante dos murais televisivos que toda casa tem e que transmitem ininterruptamente “novelas” com as quais os moradores podem interagir.
“Resumos de resumos, resumos de resumos de resumos. Política? Uma coluna, duas frases, uma manchete! Depois, no ar, tudo se dissolve! ”

O casal não tem filhos e essa é a opção da maioria dos casais. Crianças são um estorvo e geralmente ficam em instituições de ensino, passando em geral 3 dias por mês com os pais que, tão logo os filhos chegam em casa são colocados diante da TV.

Montag leva uma vida quase retilínea, sem percalços. Sua rotina sofre o primeiro baque quando certo dia, voltando para casa, encontra uma jovem adolescente, Clarisse, que inicia uma conversa com ele. Ela fala sobre como as pessoas não aproveitam as coisas simples e belas da vida, como olhar para o céu, conversar com os amigos e se perguntar sobre o “porquê” das coisas.
Nessa mesma época, Montag presencia uma mulher que preferiu não sair da casa onde guardava seus livros, sendo queimada junto com eles.
“E pela primeira vez percebi que havia um homem por trás de cada um dos livros”
A partir desses dois acontecimentos, Montag se rebela contra o sistema e tenta fugir da cidade. Faz amizade com um professor Faber - que havia investigado no passado e que agora se torna seu cúmplice e o ajuda em sua fuga.
Nesse livro, estamos diante de um tipo de situação: o controle da cultura e do pensamento. O afastamento de tudo que é complexo e exige uma análise mais cuidadosa.
“Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum”.
Melhores momentos do livro: o capítulo em que Montag decide não ir ao trabalho. Seu superior – Beatty – vai à sua casa ver o que está acontecendo e já sabendo que Montag tem livros escondidos em sua casa. Ele se senta ao lado da cama e fala sobre como tudo começou e explica como as coisas funcionam. Enquanto lia esse capítulo não pude deixar de perceber que Bradbury estava falando com o leitor do século XXI.
Após o último capítulo, o autor relembra os dias em que estava escrevendo o livro e as pequenas alterações que ele mesmo fez no texto adaptado para o teatro, e o destino dado a Clarisse por François Truffaut em sua versão para o cinema. Fala também sobre as influências de outros escritores e cita uma curiosidade que, segundo ele, só notou depois de que o livro foi publicado (duvido):
“Só recentemente, revendo o romance, percebi que Montag foi batizado com o nome de uma fábrica de papel. E Faber, naturalmente, é um fabricante de lápis! Como meu inconsciente foi astuto ao dar esses nomes a eles.
E em não contar isso a mim”
Livro excelente, imperdível.
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