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28 de maio de 2019
Memórias é um caso quase único na obra de Dostoiéviski. Se vc começar a lê-lo sem ver a capa é capaz de demorar a liga-lo ao gênio russo. Não que não esteja lá as principais ideias de Dostoiéviski, mas sua forma narrativa, sua quase bipartição, o sarcasmo em primeira pessoa, tudo isso é algo novo, ao menos para mim. A primeira parte, na qual o paradoxalista (personagem narrador) faz como que um manifesto contra o avanço de um tipo de racionalidade mecanicista, fisicalista e autômata que toma conta da vida de seu tempo, onde tudo periga e muito reduzir-se, inclusive os sentimentos, a meros efeitos do cálculo. É, nesse ponto, niilista (no sentido não nietzcheano, mas como Nietzche em si). Tem, inclusive, uma das melhores definicões de humanidade que já vi: ser humano é ter a capacidade de agir contra os próprios interesses, diferentemente de qualquer outro animal. Na segunda parte, mais bela, conta parte da história desse paradoxalista, ainda em primeira pessoa, que se retrata como alguém que nunca se encaixou no mundo estruturado, vivendo no subsolo das coisas, no porão da vida e, de lá, tecendo uma análise fria e cruel da sociedade ao mesmo tempo que, tenteando, busca desesperadamente pertencer sem sucesso. Com isso, o ódio e a vilania vicejam em si. Não é a obra mais agradável do mestre, mas uma das melhores.
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