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Avaliado no Brasil em 13 de novembro de 2019
Inicio falando da tradução, para depois falar da obra, que, como já se sabe, é um clássico universal.
Confesso que fiquei um tanto desconfiado quando, em 2017, a Penguins-Cia. das Letras incluiu em seu catálogo de clássico as Confissões, de Santo Agostinho. Isso porque já há no mercado editorial brasileiro edições tradicionais, inclusive com valores populares. Mas adquiri mesmo assim e constatei a boa qualidade editorial da edição, especialmente da tradução - direto do latim, como deve ser, feita por Lorenzo Mammi. O que chama a atenção na tradução é o excelente prefácio que a introduz, a fluidez de leitura das frases, que soam muito bem em português, e o cuidado em indicar a fonte das citações bíblicas (feitas a partir de tradução latina anterior à Vulgata de Jerônimo). Este último aspecto torna-se bastante relevante considerando-se as numerosas citações que Agostinho faz do texto bíblico em todos os treze livros das Confissões. O único aspecto que senti falta nessa edição foi de notas explicativas, já que o ambiente cultural e religioso do autor está bem distante do nosso. Afora isso, é o texto das Confissões que considero mais confortável e agradável de ler.

Considerando a obra em si, saliento inicialmente ela transcende o tempo, o ambiente cultural e a confissão religiosa de seus leitores. E não é só por ter inaugurado um novo tipo de autobiografia, é também pelo fato de tratar de questões profundas do ser humano, tais como o sentido da vida, o papel que a religião desempenha na vida pessoal e social, o sentido do sofrimento humano, o papel da família dos amigos, etc. Temas humanos, tratados de um ponto de vista cristão, mas sem ser piegas ou afetado, que falam ao coração de qualquer pessoa.
E se engana quem pensa - levado pelo título da obra - que se tratam de relatos de "pecados" do autor, como era de se esperar pelo sentido negativo da palavra "confissão". Muito pelo contrário, trata-se do reconhecimento, sim, de um homem que se sabe fraco e pecador, mas que vê na graça divina e na meditação de sua palavra - que é citada profusamente no texto - a fonte e a força para manter-se firma na fé.
Some-se a isso, a profundidade das reflexões que está longe dos livros devocionais ou de autoajuda vendidos por aí e que ajudam seus autores. Há trechos, como o famoso texto do Livro XI - 17, sobre o TEMPO, que fazem inveja a qualquer filósofo, de tão bem pensado.
Enfim, é uma obra cuja leitura vale a pena sob vários aspectos: religioso, filosófico, cultural, literário... e numa tradução de muito agradável leitura.
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