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25 de dezembro de 2018
Me lembro que quando li pela primeira vez o primeiro livro da série "as Crônicas de Gelo e Fogo", dois pensamentos passaram pela minha cabeça. O primeiro era que ali estava, a meu ver, um escritor que nunca mais precisaria ter outra ideia na vida, uma vez que aquele universo era tão rico que ele poderia passar o resto dos seus dias contando histórias só dele, que cabiam perfeitamente mais dez ou vinte livros situados ali. O segundo pensamento era que, com base no narrado naquele primeiro livro, me interessavam muito mais três histórias situadas no passado do que os desdobramentos dos acontecimentos presentes. Essas três histórias eram a Conquista de Aegon, a Dança dos Dragões e a Rebelião de Robert Baratheon. Dessas três histórias, duas estão nesse livro, e a terceira está prometida para o volume 2 (torcida para que não demore demais!).
Primeiro de tudo vale comemorar o lançamento finalmente de um livro novo situado no mundo de Westeros. Eu vi alguns se queixando de Martin ter começado a escrever prequels antes de terminar a série principal, mas para mim não existe problema nenhum, seja situado no tempo do presente jogo dos tronos, seja no tempo da longa noite ou na era dos heróis, para mim é antes de tudo um livro de "As Crônicas de Gelo e Fogo", e é recebido com igual entusiasmo.
Então, tantos anos depois, temos um livro novo. Embora ele não seja inteiramente novo! Quando saíram os contos "O príncipe de Westeros" e sua continuação "Os Negros e os Verdes", eu já esperava que eles seriam republicados juntos num formato semelhante ao de "O Cavaleiro dos sete reinos", mas Martin resolveu ir ainda além e incluiu também o conto "Os Filhos do Dragão" além de trechos reescritos e expandidos de "O mundo de gelo e fogo" (e mais alguma coisinha) para fazer um livrão que cobrisse um século e meio dos três que a dinastia Targaryen governou Westeros. O resultado é muito bom. Nem tudo é republicação, há muito material inédito para o leitor brasileiro, embora uma boa parte tenha cara de ser conto escrito para antologias que apenas não saíram por aqui. Entre as partes inéditas está um dos momentos que eu mais queria ver, o momento imediatamente posterior à Dança, e como aquele garoto, filho do lado perdedor da guerra e prisioneiro, veio a se sentar no trono. Após o fim da leitura do conto "A princesa e a rainha" eu havia ficado muito tempo pensando nisso, e no que teria acontecido, e a leitura aqui compensou a espera. A maior parte do livro se dedica aos dias do reinado de Jaehaerys e Alysanne, que foi o mais longo dentre os dos Targaryen, e eu gostaria que só um quinto dessas páginas fossem dedicadas a mostrar um pouquinho mais do rei Aegon, que aparece tão rapidamente. Ao final do livro não sabemos muito mais sobre o Conquistador do que sabíamos antes da leitura. Pena. Espero que algum dia exista um outro livro, que se detenha no período da Conquista de forma mais detalhada. Agora, quanto à Dança dos Dragões, não há do que reclamar, tudo é destrinchado nos mínimos detalhes, é perfeito. Toda a trama é contada do ponto de vista de um meistre que garimpa a história anos depois, e esse recurso é muito interessante em alguns momentos, e em outros acaba por gerar um certo distanciamento em relação aos personagens além de uma caracterização mais superficial (a Visenya madura e Alicent Hightower são basicamente a mesma personagem). Mas os méritos do livro superam e muito as possíveis falhas. Como sempre, cada novo volume sobre esse mundo continua sendo um presente para os leitores. O livro termina quando Aegon III assume o trono, e o próximo deve trazer um outro momento interessantíssimo, a disputa dos Targaryen com os BlackFyre. Que não demore demais!
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