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1 de julho de 2014
Naquela proposta de ler, pelo menos, dois clássicos por ano, investi em Madame Bovary, o célebre livro do francês Gustave Flaubert. Claro que existem muitas resenhas por aí, inclusive havia uma excelente ao final da tradução que peguei, por isso, minha intenção é mais de expor minhas breves sensações do que "resenhar".

É uma leitura simples e fluída, mas, às vezes, cansativa, por causa do relato de muitos detalhes do ambiente. Isso é que me surpreende nos clássicos da literatura internacional, são sempre claros, com muitas peripécias e quase um folhetim (isso é mesmo verdade, pois originalmente a primeira publicação foi feita em jornal, ou seja, com características tais). Pena que alguns clássicos brasileiros são bem chatos de ler, mas não vou polemizar.

Das resenhas e opiniões sobre o perfil de Sra. Emma Bovary concordo com aquela em que afirma que ela seja uma prisioneira da visão de mundo da classe média, ou seja, quer se parecer mais do que é e cheia de recalques românticos. Características mais do que evidentes, por exemplo, se olharmos a nossa classe média atualmente. E principalmente, por mostrar uma mulher amoral, afinal não a vi em nenhum momento em conflito de consciência. Suas doenças e crises veem sempre após ser deixada e nunca durante os encontros extraconjugais.

O marido, Sr. Charles Bovary, é o retrato do homem traído: íntegro, trabalhador, mas bem sem graça. Por isso, em nenhum momento, dá pena deles. A sensação é de que eles estão certos, em cada um dos seus papéis. Aliás, Flaubert é bem compentente em não se colocar desse ou daquele lado, evidenciando que o ideário romântico é pra lá de furado. Não existe casamento perfeito e os homens solteiros - ah, os homens! - só querem mesmo é se divertir.

Agora, sinceramente, achei tudo muito parecido com outro clássico, O Primo Basílio de Eça de Queiroz. Na resenha final é dito que autor português se inspirou na ficção francesa, mas penso que foi muito mais do que isso. Os personagens são muito parecidos, com personalidades muito semelhantes. Além de Madame Bovary ser a própria Luíza, a vilania cínica de Juliana bebe no personagem Lheureux. O que muda é que Flaubert investe mais nas idas e vindas da mulher, mas seu final é certo, como propõe Eça, a tragédia.

Gostei muito, também, da critica ao jornalismo, quando Monsieur Homais se torna forte e começa a usar seu "jornal" para usufruir de força política e favores. Valem também as interessantes discussões entre ele e o padre: a razão e a religião.

Bom, basta dar um Google que tudo isso aqui está dito em outro lugar. Inclusive há várias teses e dissertações acadêmicas sobre a semelhança de Primo Basílio e Madame Bovary. Concluo, recomendando muito a leitura do livro, pois as discussões ali relatadas mostram o retrato de uma época que pode ser analisadas e trazidas para a realidade de hoje. E como diria minha avó: cabeça vazia é oficina do diabo. Não é, Emma?!

Boa leitura..
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