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5 de maio de 2015
Bernardo Kucinski estreou na ficção aos 70 anos. Seu primeiro romance foi lançado por uma pequena editora e em quatro anos, ganhou admiradores e alçou asas: está em sua terceira edição no Brasil e já foi traduzido para vários idiomas. A boa nova é que "K" está entre os dez finalistas do Impac Dublin Award de 2015, considerado um dos mais importantes prêmios literários.

O livro reúne ficção e realidade. O escritor levou exatamente quatro décadas para conseguir por no papel o desaparecimento de sua irmã durante a ditadura militar. Essa foi a maneira que ele encontrou para registrar a angústia de seu pai em busca de respostas sobre o que realmente aconteceu e, sobretudo, sua contribuição para não deixar cair na banalidade ou esquecimento um dos períodos mais truculentos de nossa história.

K, seu protagonista, é um pequeno comerciante que divide sua rotina com o estudo do iídiche, seu idioma natal, e é difícil não associar essa letra com Kafka, o pai do absurdismo na literatura. Ele jamais desconfiou do envolvimento da filha com a militância política clandestina, afinal, Ana Rosa era doutorada em Química e professora da USP cuja rotina não levantava suspeitas.

O livro discute culpa e impunidade e também remete ao Holocausto, a medida que a atmosfera de vigilância no Brasil é semelhante a situação da Alemanha durante o nazismo. Também traça uma crítica ao silêncio da vida acadêmica da época, ao tentar descobrir os motivos que levaram algumas pessoas a colaborar com a ditadura.

Na versão digital há o bônus de dois contos do autor. Abordando interessantes reações após o lançamento de "K", eles merecem toda atenção.
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