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5 de junho de 2018
Foi em meados de 1965, após passar um final de semana com a família em Acapulco, que Gabriel García Márquez começou a escrever “Cem Anos de Solidão”. Foram dezoito meses de exclusiva dedicação, um período mais extenso do que estimara ao abandonar o emprego, ocasionando dificuldades que, muitas vezes, só seriam contornadas com o auxílio dos amigos.

Se muito já foi escrito sobre este período, pouco se sabe sobre a construção do romance, isto é, permanece obscura a engenharia sobre a qual foi edificado o universo de Macondo. Um mistério criado pelo próprio escritor que, ao receber o primeiro exemplar impresso, rasgou a maioria do material referente ao projeto, tornando inacessível os truques e a carpintaria por trás de sua obra máxima. Do que restou, o documento mais importante é a primeira cópia das provas de impressão onde estão anotadas 1.026 correções de seu próprio punho, deixando à mostra modificações e inflexões que denotam meticulosidade e perfeccionismo.

Considerado o mais importante romance da literatura latino-americana, sua história apresenta a vida de uma família ao longo de um século, um período que se estende da fundação de Macondo pelo seu patriarca até a morte do seu último descendente. Curiosamente, tanto o destino dos Buendía como o do lugar caminham em sincronia, portanto, tal qual ocorre com as tribos errantes de Israel, esta é a história de um povo que pode ser compreendida por meio da gênese de uma única família”.

Outro ponto interessante é a dicotomia entre a linearidade e circularidade do tempo, isto é, o romance apresenta uma narrativa com começo edênico, meio e fim apocalíptico, mas também possui uma concepção cíclica, marcada por repetições de nomes, traços de personalidade e, inclusive, situações. Também é o exemplo cabal, quando o assunto é realismo mágico, um sintagma utilizado pelos críticos, para se referir a um determinado tipo de literatura que entrelaça a descrição realista a um senso de mistério e adivinhação poética da realidade.

O romance também pode ser interpretado “como uma espécie de metáfora da situação latino-americana entrelaçada com a história da Colômbia, ao denunciar os principais problemas socio-politicos da região como a chacina de trabalhadores, o roubo de terras, a violência e a tirania imposta pelo poder. Da mesma forma, pode ser compreendido como a criação e síntese do mundo, isto é, uma representação da condição humana revelada através dos membros da família Buendía que se apoia nas inúmeras repetições, na força da natureza, no determinismo e na solidão que rege a vida das personagens. Ainda há uma terceira via que entrelaça estas duas interpretações e considera “Cem Anos de Solidão” capaz de conectar-se com realidades históricas determinadas, mas com suficiente autonomia para plasmar simbolismos de ressonância universal”.

Boa leitura!
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