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Avaliações dos clientes

500 PRINCIPAIS AVALIADORES
8 de outubro de 2018
[ALERTA DE SPOILER E DEVANEIOS DE UMA LEITORA]

Eu começo esta resenha querendo trazer o fato de que a autora afirma que esta história foi originalmente escrita em conto, e, depois, transformou-a num livro. Queria salientar que contos também podem ser livros, assim como novelas, romances e crônicas. Acredito que a autora tenha se expressado mal, pois todos estes são tipos de textos narrativos e nada os impede de serem livros. No entanto, acho válido a autora esclarecer que, diferente dos romances que escreveu, esta obra se trata de uma novela. Vejam bem, não é curta mas também nem longa demais a ponto de ser um romance, e ainda é dividida em capítulos, então acho que se encaixaria melhor no tipo "novela". Não concordo com o fato de pessoas estarem tirando estrelas só porque o livro é curto. Antes de comprarmos, podemos ver quantas páginas tem o livro e assim saber mais ou menos se se trata de um conto, novela, romance, etc. Mas como nem todo mundo olha esse detalhe, penso que um aviso da autora na descrição do livro já a preveniria de perder estrelas só por causa da curta estrutura de seu livro. E evitaria que leitores procurando por algo mais longo baixasse a obra achando que é romance (livro longo com uma história mais complexa).
O livro tem seus pontos positivos e negativos. Infelizmente, os negativos pesaram mais.
Em alguns momentos, a narrativa é muito abrasileirada para um enredo que se passa no exterior. Você encontra coisas como "menina gente boa" e "magra de doer". Expressões que não existem no inglês. O engraçado é que, da mesma forma que existem as partes abrasileiradas, existem as partes americanizadas, como a frase "Eu quis socar aquele sorriso estúpido para fora de seu rosto", que não faz o menor sentido no português. Parece uma tradução mecânica. Acho que fica muito melhor se reformulasse a frase para "Eu quis socar aquele sorriso estúpido até fazê-lo sumir de seu rosto" ou algo do gênero. Na minha opinião, fica mais aceitável e faz mais sentido em nosso idioma. Parece que a autora ficou perdida e não conseguiu encontrar o meio-termo. Em alguns momentos, tendia para o Brasil, e, em outros, para os Estados Unidos traduzindo literalmente para o português.
Outra coisa que quero apontar: a Seven e Liza vão passar 4 semanas no apartamento de Brent e Aidan porque a faculdade estava em reforma. Ou seja, a faculdade faz os alunos perderem 4 semanas de aula por causa de reformas. No mínimo, transfeririam as aulas para outras salas e os alunos, para outros dormitórios. As coisas não são feitas de bolo. Existe todo um planejamento para cumprir o calendário acadêmico. Ninguém vai querer pagar 4 semanas de mensalidade para não ter aula. Ninguém vai querer atrasar o ano acadêmico porque alguém resolveu fazer um reformão no campus e acabou deixando o povo sem ter onde dormir e estudar. Isto é crível para vocês? Não foi para mim... Ficou mal explicada essa parte. Eu entendo dispensar os alunos, por exemplo, em caso de desastres naturais, como um furacão, um tornado, etc. Eventos que teriam que destruir o campus para fazê-lo precisar de uma senhora reforma. Mas não foi o que aconteceu aqui neste livro.
A história precisa de uma revisão pente fino. Aqui você encontra incoerências como "franzindo o olhar". Como é que se franze um olhar? Já vi franzir a testa, o cenho, as sobrancelhas... mas o olhar? Travei quando li isso. Travei também quando lia coisas como "Como você tá?", "Eu tava fazendo (...)". Essa grafia errada me irritou um pouco. Não que seja errado colocar assim, afinal, na pressa do dia a dia acabamos falando assim. Mas colocar dessa maneira em um livro foi um pouco brochante para mim.
Se a Seven é uma menina que sabe das coisas, esperta como a autora quer passar, por que ela não confirmou que teria um quarto de hóspedes onde ela pudesse dormir? Por que não se certificou com antecedência onde ela iria dormir? Aí você me responde: "ah, mas aí não teria livro". Poxa, mas pelo menos crie o contexto para justificar o lapso dela. Do jeito que ficou, não casa nem um pouco com a personalidade dela, com a aparente inteligência e autossuficiência dela. Ficou esse furo na história que, a meu ver, não dá simplesmente para ser justificado com um "ela fez assim e pronto, a autora escreveu assim e pronto". Uma garota que a autora descreve como "inteligente e autossuficiente" concordar de bom grado ficar num ap com um cara que ela detesta e nem ao menos querer saber onde ela passará as noites me parece incoerente. Está mais para uma garota largada, ao estilo "deixa a vida me levar, vida leva eu". Então, posso estar enganada, mas senti que faltou maior construção dos protagonistas. Ou pelo menos maior coerência do que é narrado com as atitudes que eles apresentam.
Existem momentos que eu achei uma tremenda forçação de barra. No ringue, Aidan quase mata Max por ciúmes da Seven que está torcendo pelo Max, para mostrar que ele era capaz de acabar com a raça do cara. Seu oponente cai no chão, fica prostrado, e Aidan mesmo assim continua batendo nele, tirando sangue do homem. A essência da luta por esporte se perde. Quando seu oponente cai no chão depois de um nocaute, a luta para imediatamente, podendo ser encerrada ou não. Depende se a pessoa nocauteada consegue se levantar após uma contagem e dar continuação ao combate. Mesmo com Max nocauteado, Aidan vai para cima dele e continua machucando-o por uma questão de ego. É isso o que as garotas gostam? Caras violentos, sem qualquer controle sobre seus instintos? Perdeu mais pontos comigo... E Brent forçou totalmente a barra ao descrever o amigo (Aidan) como um cara "com um senso de lealdade e ética incrível." Ética incrível? Realmente, alguém que sai batendo nas pessoas para resolver seus problemas tem uma conduta ética incrível. E não falo do momento em que ele teve que se defender quando o atacaram no beco, falo da parte em que Max sofreu nas mãos dele. Até mesmo da parte em que ele bate no antigo namorado da Seven quando descobre que o garoto planeja filmar a primeira vez deles. Percebem como é perigoso corrermos o risco de achar isto um gesto romântico e uma linda prova de amor do garoto que gosta da garota? Ou seja, bater é a solução. A recorrência desta premissa nos protagonistas masculinos da autora é algo assustador. Eu ainda não li Menos Que Nada, mas espero profundamente que a fórmula seja diferente.
Seven Carson e Aidan Shaw, para mim, pareceram uma sombra de Charlie Archer e Kellan Dawson. A língua afiada da Seven, a arrogância, a aparente esperteza, a falta de sociabilidade, as farpas trocadas. Os sorrisos convencidos do Aidan, os passos confiantes, o fato de encontrar na agressão física a solução para seus surtos de ciúmes e proteção. Não há como fazer vista grossa com esse último aspecto. Fiquei um pouco frustrada, pois acompanho a autora desde seu primeiro lançamento. E a mim, os protagonistas deste livro parecem a cópia de Charlie Archer e Kellan Dawson, numa versão mais leve, cômica e com a diferença de que terminam juntos.
Desculpe mesmo a quem adorou, mas não simpatizei com este casal. A partir do momento em que ele a chamou de cadela, o conceito que eu tinha dele caiu drasticamente. E ela sabe ser tão estúpida, de um jeito nada hilário, quanto ele. Este é um trecho onde eles trocam farpas:
"Eu até diria como é bom te ver, mas mentir não combina com o meu caráter." (Seven)
"É verdade, ser uma cadela combina muito mais." (Aidan)
"Acho que você tá me confundindo com a sua mãe." (Seven)
Esse diálogo foi o cúmulo para mim. Você não vê uma briga inteligente, excitante, genial. Você vê baixaria nessa parte (e em outras). Nesse trecho, você vê um cara sendo machista e uma mulher sendo machista e só contribuindo ainda mais para que as mães do mundo continuem sendo alvo de xingamentos, de ofensas. Isso é muito triste. Esse casal começou brilhando e depois decaiu para mim. De 70% até o epílogo foi melhorando, mas depois despencou de novo com o bônus.
Não me entendam mal, o livro não é completamente ruim. Ele foi um livro ok para mim. Cheguei bem perto de dar duas estrelas, mas depois senti que seria injustiça. É uma boa história. A premissa é excitante. Livros com essa relação gato e rato me prendem, mas isso não foi abordado com certa elegância, de uma maneira que acabasse sendo fofa e me cativasse. De uma maneira sagaz. De uma maneira que me fizesse pensar que, estando no lugar da Seven, eu conseguiria me apaixonar facilmente por Aidan Shaw. Sinto que ficou uma lacuna na construção do relacionamento entre os personagens, a falta da evolução dos sentimentos. Falta de autorreflexão, de imersão no que se sente, o que os tornou rasos mesmo para uma novela.
Peço perdão à autora se minhas palavras soaram duras. A intenção não foi ofender, foi provocar reflexões. Sempre torço para que as escritoras nacionais cresçam e se tornem cada vez mais maduras em sua escrita. Não poderia deixar de falar o que falei aqui, porque alguns pontos realmente me incomodaram de tão preocupantes que me foram.
Uma das estrelas foi pela capa, que está linda de um modo perspicaz, pois mesmo que à primeira vista pareça algo feito puramente pela estética, há um "7" nela fazendo referência a Seven. Foi muito bacana a ideia. A capista arrasou e a autora acertou em cheio na escolha.
Enfim, recomendo a leitura para quem procura por algo curto e rápido, mas ficam as observações.
Agora é ler Menos Que Nada e saber o que me aguarda #partiu
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