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7 de março de 2017
Fernando Pessoa é uma figura ímpar na literatura, graças a criação heteronímica que distingue sua obra. É frequente supor que ela seja sua invenção, no entanto, o escocês James Macpherson já havia usado em "Cantos de Ossian". Hoje em dia, o caso mais conhecido é de Stephen King e seu heterônimo Richard Bachman.

De acordo com Robert Hass, um dos maiores nomes da poesia contemporânea, "outros modernistas como Yeats, Pound, Elliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente, Pessoa inventou poetas inteiros". No entanto, ele jamais assumiu o papel de ortônimo, julgava-se a si mesmo como um heterônimo. Vários de seus poemas descrevem esse processo de despersonalização, assunto que tratou na famosa carta endereçada para Casais Monteiro, poucos meses antes de sua morte. Nela, ele afirma ser histeroneurastênico e místico assim como também descreve as principais características de Alberto Caieiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares. Por sinal, pela sua importância, fica a sugestão de incluí-la na próxima edição da antologia.

Aliás, uma compilação poética que prima pela qualidade. Acondicionada num box de papel resistente, está dividida em dois livros de capa dura, com confortável diagramação, boa impressão e cuidadosa revisão de acordo com a nova reforma ortográfica. O material selecionado reúne boa parte da obra poética de Pessoa que, transcorridos mais oitenta anos de sua morte, continua sendo estudada e avaliada por conta do gigantesco espólio, composto por 27.543 textos guardados numa arca que, atualmente, pertence ao governo português.

O primeiro volume está dedicado ao que Pessoa escreveu em português como ortônimo. Encabeçando a lista, aparece "Mensagem", seu único livro publicado em vida, seguido de "A Memória do Presidente-Rei Sidônio Paes" e "Quinto Império". Os poemas subsequentes dividem-se em três seções, respectivamente, "Cancioneiro", "Quadras" e "Outros Poemas". Já, a cereja do bolo do segundo volume são as obras de seus três principais heterônimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Encerrando, estão os poemas em inglês e francês e as traduções, como a do poema "O Corvo", de Edgar Alan Poe.

Se você pretende conhecer com mais detalhes a vida e obra do poeta, indico três livros:
- "Fernando Pessoa - O Espelho e a Esfinge", de Massaud Moisés.
- "Antologia Poética", de Cleonice Berardinelli, cujos oito ensaios são primorosos.
- "Fernando Pessoa, Uma Quase Autobiografia", de José Paulo Cavalcanti Filho.

Entretanto, não deixe de ler "O Livro do Desassossego", de seu semi-heterônimo Bernardo Soares. Escrito sob a forma de diário sem datas, é apontado como seu livro mais importante, refletindo a complexidade da sua mente.

Fotos:
À Esquerda: A arca com o acervo do poeta.
Ao Centro: Um original.
À Direita: Fernando Pessoa.
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