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21 de janeiro de 2018
De Carlos Fuentes (1928-2012), já havia lido “A Morte de Artemio Cruz”, um romance que transforma o engajamento político do escritor em ficção e que, infelizmente, está esgotado há anos.

“Aura”, outra de suas histórias, encontrei por acaso, vasculhando a Amazon. Com apenas 75 páginas, trata-se de uma novela que ora é classificada dentro do realismo mágico ora dentro do gênero fantástico, havendo divergentes opiniões a respeito. Para quem se interessar pelo assunto, existe um extenso material disponível, inclusive, de fácil acesso via internet.

Abordando amor, obsessão e o mito do duplo, ela distingue-se por um recurso pouco usado na literatura: o narrador em segunda pessoa, isto é, “um narrador que transforma o leitor em protagonista, para fazer com que ele experimente de forma direta as impressões e sensações sugeridas no texto.”

Para ilustrar, observe as primeiras linhas do livro: “Você lê esse anúncio: uma oferta assim não é feita todos os dias. Lê e relê o anúncio. Parece dirigido diretamente a você, ninguém mais. Distraído, deixa cair a cinza do cigarro dentro da xícara de que estava bebendo neste café sujo e barato. Torna a ler. Solicita-se historiador jovem. Organizado. Escrupuloso. Conhecedor da língua francesa. Conhecimento perfeito, coloquial..." Interessante, não?

Resumidamente, esta é a história de Felipe Montero, um jovem desempregado, que resolve se candidatar ao cargo mencionado e, uma vez admitido, passa a conviver com Consuelo, uma idosa à beira da morte, e sua bela sobrinha, Aura, por quem se sente atraído. À primeira vista, ele tirou a sorte grande, já que o salário é atrativo e o trabalho não envolve maiores dificuldades. Felipe precisa organizar e concluir as memórias do falecido General Llorente, marido de Consuelo, para que se possa publicar um livro.

Entretanto, o caso não tarda a assumir contornos assustadores. Uma atmosfera lúgubre toma conta da leitura que tem como único cenário um casarão úmido, escuro cujas estranhezas assumem um papel relevante na interpretação do texto. Por exemplo: a coelha Saga representa a fertilidade; os gatos, com suas sete vidas, a imortalidade; enquanto que o cabrito, frequentemente associado ao demônio, refere-se a virilidade, a força e o poder masculino. Também o verde, cor dos olhos de Aura e de seu vestido de tafetá, é várias vezes mencionado e, associado ao chacra cardíaco, remete ao amor pela vida e a espiritualidade aflorada.

Lançado em 1962, “Aura” está impregnado de erotismo e abre as portas do universo da feitiçaria com a presença de símbolos e rituais, inclusive, sua leitura chegou a ser proibida para os estudantes secundaristas durante o governo do presidente Vicente Fox, no Mexico. Em 1966, a novela inspirou o filme “La Strega in Amore” ou “The Witch” com Richard Johnson, Rosanna Schiaffino e Gian Maria Volontè no elenco.

Para finalizar, adquiri a edição de bolso. Em capa brochura e sem abas, ela foi impressa em papel offset branco e está bem diagramada. Recomendo.
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