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11 de março de 2019
JEREMIAS – PELE, escrita por Rafael Calça e desenhada por Jefferson Costa é a 18ª graphic novel lançada pela Maurício de Sousa Produções, através do selo GraphicMSP. Nela, acompanhamos o jovem protagonista vivendo com a sua família, sonhando em ser astronauta e lendo histórias de heróis. Ou seja, sendo uma criança feliz. Tudo parecia normal para ele até sentir na pele os males que o racismo pode causar.

A partir daí ele se dá conta que existem pessoas que acham que o fato de ser negro faz dele alguém menor. Que a cor da sua pele deve ser determinante de quem ele pode se tornar.
Com essa nova percepção sobre si [e sobre o que essas pessoas esperam quem ele seja], Jeremias, com o auxílio dos seus pais, terá que descobrir meios de como enfrentar o racismo que sofre e como deverá se impor diante dessas pessoas. Sejam as que praticam o racismo de forma aberta ou de maneira velada.
Em alguns momentos, vemos outros personagens criados por Maurício de Souza, mas que não interagem na história, estão ali ao fundo. Porém, bem visíveis. O que para além de inserir o Jerê no Universo da Turma da Mônica, ou uma brincadeira de easter eggs, a presença desses personagens nos faz pensar que, na verdade, Jeremias esteve lá – em suas histórias – esse tempo todo e nós nunca o vimos.
É um história dolorosa, pois você está acompanhando a vida de uma criança, toda cheia de fantasia e brincadeira e, de repente - #pah# -, uma pancada. Vem o racismo, do nada. Sem explicação. Do jeito que é na vida real, pra quem sofre isso.
Jeremias é apenas uma criança como qualquer outra, e só deseja sonhar.

Já foram lançadas 19 graphicMSP [a última foi Horácio - Mãe]. Algumas com histórias belíssimas, engraçadas e interessates. Porém, essa 18ª HQ, apesar de dolorosa, é também uma história essencial.
Necessária para discutir o que algumas pessoas chamam de “vitimismo” por parte da comunidade negra. E mostrar que representatividade é algo importante. E faz isso através de um personagem negro como protagonista, e dos artistas Rafael e Jefferson que além de negros, inserem na história [de maneira orgânica e longe do panfletário] situações que – infelizmente – vivenciaram. E assim, evitam qualquer possibilidade de seu discurso ser chamado de “mimimi” - termo usado geralmente por racistas que se opõe a representatividade e o lugar de fala.
Como sempre, Maurício de Sousa e Sidney Gusman estão de parabéns por escolher tão bem o time de artistas.

Por fim, Jeremias – Pele deve ser lida por adultos e crianças, negras ou não, fãs e para quem nunca abriu uma HQ na vida. É uma revista forte, dolorosa e indipensável para todos.
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