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8 de maio de 2018
Cômico! Hilário!

Não há outras palavras que resumam essa obra, fincada no enorme ego do personagem principal.

Este via as mudanças que "os novos tempos" da Rússia traziam e se portava como um grande entusiasta.

Entendia que o conceito de humanidade desabrocharia sob a sociedade e que deveria haver uma relação de "amor ao próximo" entre as pessoas.

Adicionalmente... Ele enxergava tudo isso, antes dos demais, antes que tal mudança já tivesse acontecido!

Ocorre que ele, sendo do alto escalão em seu trabalho, também vivenciava a hierarquia que os chefes tinham junto aos seus subordinados e, mesmo quando pensava alegremente em adotar essa nova atitude "positivista", o fazia com certo preconceito e egoísmo, devendo ser encarada como honraria a quem ele se dispusesse a fazê-la, não sendo, portanto, uma mudança de postura natural.

Sujeito que nunca bebia, eis que é convidado para o aniversário de mais um alto escalão do trabalho, onde toma algumas taças de vinho. Já levemente entorpecido, descobre que sua caleça não estava a sua espera.

Pensando no que iria fazer com o desabonado cocheiro, tendo uma vertente em açoitá-lo e outra em apenas dizer-lhe duras palavras e causar-lhe constrangimento (negar o açoite deveria ser encarado como uma forma de "amor ao próximo"), resolve voltar a pé até um local movimentado, de onde conseguiria um novo cocheiro para levar-lhe para casa.

No meio do caminho, vê uma festa acontecendo e descobre que é o casamento de um subordinado de sua repartição, o qual ele não era próximo, mas que se lembrava do indivíduo por seus traços "estranhos e grosseiros".

Conversando consigo mesmo (sabe aquele papo de bêbado que a pessoa tem consigo mesma?), entende que deveria ser uma honra para o subordinado ter um "grande chefe", como ele, em um momento tão especial. Acredita firmemente que isso será visto de igual forma pelos demais convidados, desde que ele conseguisse explicar como fora parar lá...

Daí em diante, ocorre uma série de conversas entre ele e seu subconsciente (já entorpecido) e adentra a festa, passando a ocorrer, continuamente, uma sequencia de situações constrangedoras, desagradáveis e, claro, hilárias (para o leitor).

A ironia do contexto vivido pela sociedade russa da época é a marca forte dessa obra, pois todo o bom sentimento do personagem principal, é acompanhado de uma verdadeira soberba inversamente proporcional...

Ter a oportunidade de ler como Dostoiévski trata a situação é simplesmente espetacular!

De todas as obras russas que tenho lido, essa, sem dúvidas, foi a mais engraçada e, não obstante, tão crítica quanto as demais! Sensacional!
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Detalhes do produto

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