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15 de março de 2019
ATENÇÃO: TEM SPOILERS DO VOLUME 1

Este segundo volume tem um pouco mais de ação frenética em relação ao primeiro. A gente vê uma longa jornada de Alita em busca de seu próprio papel no mundo enquanto tenta lidar com a dor da perda de Yugo. O primeiro volume é icônico, mas acredito que este segundo volume seja um pouco melhor porque parece que o autor encontrou o ritmo da história aqui. Mescla momentos de ação com partes do passado de Alita que vão gerando novas perguntas. Apesar de o grosso da ação estar centrado no arco do Motor Ball que todo mundo curte, fica aqui a lembrança para aquele trecho final onde Zapan retorna e conhecemos mais um médico de Zalem.

Alita em busca de si mesma

A gente pode dizer que o tema principal aqui é o de Alita tentando dar um sentido à sua existência. Se no primeiro volume tínhamos uma personagem ingênua e que ainda estava conhecendo o mundo, a Alita deste segundo volume parece uma adolescente rebelde que foge de casa. Ela tem uma perda muito profunda e começa a afastar tudo e a todos de perto de si. Ela não se julga digna do amor e da confiança das pessoas. Ao se colocar no Motor Ball, nossa andróide tenta esquecer dos seus problemas em um jogo mortal de glória e conquista. Mas, aos poucos vamos percebendo a diferença da maneira como ela enxerga o jogo de como outros como Ajjy e Zafal enxergam. Como ela mesmo se define depois, Alita é uma renegada, sem se ligar a nenhuma causa.

Ido tenta trazer nossa protagonista de volta, mas como fazer isso? Alita está cega pela perda e não deseja contato nenhum com o seu pai de criação. O encontro de Ido com Jashugan e Shumira parece ter caído do céu. Mas, será que essa é a melhor maneira de ter Alita de volta? As ações do Ido vão parecer bastante questionáveis para os leitores e acho que este segundo volume serve também para definir qual é o tipo de relação dele com Alita. É o amor de um pai para uma filha, de um irmão para uma irmã ou de um homem para uma mulher? Este é um questionamento completamente válido e foi muito bom o Kishiro ter tocado no tema e dado um ponto final nisso. Temos também algumas revelações sobre qual é o papel dos médicos em Zalem, mas isso na segunda parte da história.

Claro que não tenho como não falar do Jashugan. Um belíssimo personagem introduzido neste segundo volume. Um campeão com um coração honrado. A participação do Jashugan é muito importante para o desenvolvimento da personalidade de Alita. Está na cara que o campeão é um espelho para a protagonista. Aos poucos vamos vendo o Kishiro inserir novas camadas no personagem. No começo ele parece simplesmente ser o campeão do Motor Ball, mas vamos percebendo coisas além disso. Ele também é uma pessoa em busca de sua própria identidade. As intervenções que ele fez no corpo dele quase o tornaram uma máquina, mas o seu desejo incandescente de manter a sua honra e glória nas pistas é o que o mantém na ativa. E mais tarde vamos ver o quanto ele ama sua irmã, Shumira.

Uma arte frenética

A arte do Kishiro está ainda melhor do que no primeiro volume. Acho até que por causa da quantidade de cenas de ação presentes nesta edição a vida do autor deve ter sido muito mais difícil. Mesmo assim, ele consegue criar cenas incríveis em todas as corridas do Motor Ball. Dois momentos foram destaque para mim: o duelo do Panzer Kunst da Alita contra as artes chinesas do Ajjy que gerou algumas cenas brutais e o combate final contra o Jashugan. A leitura que o Kishiro tem dos movimentos dos personagens é muito boa. Ele consegue demonstrar ao leitor claramente como ele imaginou como um determinado golpe acertaria um adversário. Claro que são movimentos impossíveis para um ser humano, mas tenta pensar em um robô tanque com braços ou um andróide que anda agachado tentando acertar outro.

E mesmo assim, existe toda uma preocupação do autor em criar um cenário bem rico em detalhes. A cidade na superfície tem vários elementos que a diferenciam. E até mesmo quando Alita vai se encontrar com Ido tendo Zalem bem acima deles, os detalhes no horizonte são ótimos. Por falar em detalhamento, o design dos robôs que o Kishiro cria é bizarro. Bota criatividade nisso. Por exemplo, olha as linhas aerodinâmicas do Calígula... realmente ele parece uma serra. Não consegui comentar na última resenha de Alita, mas o autor sabe também criar algumas cenas icônicas. Alita e seu time chegando no campo ou Jashugan no alto de uma colina fazendo sombra ao sol que toca suas costas. É uma cena forte e poderosa.

Este segundo volume está melhor ainda do que o primeiro e só o finalzinho que ficou um pouco desconectado, mas mais porque ele inicia um novo arco de histórias. Eu queria ter visto um pouco mais da história entre Eddy e Jashugan, que ficou meio deixada de lado. Outro ponto de roteiro que deixou a desejar foi a relação entre Alita, Umba e Eddy. Tudo aconteceu tão rápido que não houve tempo para se focar na história dos três e em como eles desenvolveram toda essa relação de confiança. Ficou um pouco forçado. No resto tudo corre de forma alucinante e as partidas de Motor Ball são de tirar o fôlego.
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