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50 PRINCIPAIS AVALIADORES
5 de fevereiro de 2019
O Coração das Trevas pode ser lido, e geralmente o é, como uma crítica ao imperialismo. Pois na obra é possível perceber, ao acompanhar a narrativa de Marlow, o tom crítico que ele tece sobre a ideia de colonização, sobre os ideais que os colonizadores encarnam sobre si mesmo e se veem como salvadores de sociedades perdidas, mas que todos esses valores são, apenas, justificativos para todas as atrocidades que são cometidas pelo imperialismo.
“Toda a ambição é legítima, salvo as que se erguem sobre as misérias e as crendices da humanidade. ”
Na verdade, a ideia de cultura superior que deve ajudar, elevar a inferior é debatida e criticada o tempo todo no livro, é como se Conrad nos mostrasse o tempo todo que independente de qual seja a cultura, a natureza humana ainda é a mesma, ainda é brutal:
“Nenhum medo pode suportar a fome, nenhuma paciência pode esgotá-la, a repugnância simplesmente não existe onde há fome; e quanto a superstições, crenças e o que se poderia chamar de princípios são menos do que palha soprada pelo vento. ”
Mas reduzir esse texto fantástico, escrito numa belíssima linguagem poética a uma crítica ao imperialismo acho que seria desperdiçar um delicioso manjar. Há algo profundo na leitura em que vamos tropeçando todo o tempo sem saber muito bem o que é ou o que o autor quer nos dizer, mas que podemos sentir que está lá. Esse sentimento nos arrebata (característico de uma boa poesia) e ao mesmo tempo é carregado de metafísica, mas há um ponto na obra, quando lemos a frase mais famosa do livro (“Que horror, que horror”) em que não podemos avançar na leitura sem cair de vez nesse abismo metafísico.
Num resumo bem pobre, pode-se dizer que a narrativa de Marlow conta sua história ao subir um rio na África para resgatar Kurtz, um importante explorador de marfim. Vê-se que a história é sobre Kurtz, mas ele não se mostra durante grande parte da história, só resquícios vão sendo contados sobre ele. Como se ele tivesse envolto por uma neblina de desconhecimento, mas que parece importante para o desenvolvimento de Marlow, pois, é como se a narrativa, assim como sua jornada, fosse uma grande trilha de autoconhecimento e do mundo; como se só fosse possível compreender Kurtz após ter atravessado o Coração das Trevas. Pois quando Kurtz, jogado nas trevas, compreende o mundo, percebe como ele interfere diretamente sobre o ser, sobre si mesmo. Só então Marlow, e o leitor, pode entender o comportamento de Kurtz, não uma loucura, pois Kurtz não está maluco, mas um tipo de razão absurda, pois foi ao perceber o absurdo da vida e a brutalidade da humanidade que nada faz sentido que ele compreendeu que não há porque seguir a luz e, então, se abandona às trevas.
“Destino. Meu destino! Coisa engraçada é a vida - misterioso arranjo de lógica implacável para um propósito fútil. O máximo que você pode esperar dela é algum conhecimento de si próprio... que chega tarde demais... uma colheita de inesgotáveis arrependimentos. ”
Apesar de tudo, apesar de ser parcialmente seduzido por Kurtz, Marlow percebe que ainda há luz, que apesar da falta de sentido, do absurdo, ainda vale a pena se manter nela. Vale a pena ser a tocha no meio das trevas.
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