Avaliações dos clientes

30 de agosto de 2016
Li Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues pela primeira vez no comecinho de 2015. Foi o terceiro livro do Eric Novello que li, depois de descobrir Neon Azul e A Sombra no Sol sem querer, em 2013. Nessa época eu era bem desconectada das novidades da literatura em geral, mas comecei a garimpar fantasias nacionais e escutei sobre Néon Azul no Papo na Estante. Já queria reler o livro pra poder fazer uma resenha legal, mas fiquei ainda mais motivada depois de ouvir um podcast recente sobre a obra (o Caixa de Histórias #32, pra quem se interessar). E fiquei bem feliz por ter relido, porque aproveitei bem mais da história dessa vez.

Primeira coisa a se notar é que a leitura é tão gostosa que o livro vai em um minuto. Tinha essa impressão da primeira leitura e ela se confirmou agora - e o livro nem é tão pequeno. Mas, ao mesmo tempo que é fluida, a escrita não é nada superficial: dentre os autores que já li da fantasia nacional, é a escrita mais madura e cheia de nuances, uma coisa que ja tinha percebido já em Néon Azul (justamente o que me fez ir atrás das outras obras do autor, aliás).

Outro ponto de destaque é o worldbuilding. A história se passa em um "universo paralelo" (ou "reflexo") onde criaturas etéreas, oníricas e feéricas convivem com os humanos. Há drinquerias frequentadas por essas criaturas obscuras, uma Universidade de Magia, rinhas de salvaxes (transmorfos que viram vários tipos de animais) e uma "polícia especial" que controla a potencial bagunça desse povo todo, o Conselho de Hórus. No livro, conhecemos ainda o Entremundos, uma espécie de confluência dos vários reflexos e uma terra muito louca a la País das Maravilhas da Alice. Mas, ao mesmo tempo, o mundo parece muito com o nosso, sendo Libertà uma cidade muito similar a São Paulo – o que é MUITO legal. E o que é bem novo, também, porque acho que é uma das únicas histórias que conheço que se passa em um universo distinto, mas baseado no Brasil (de cabeça, me vem à mente só o mundo steampunk dos livros do Enéias Tavares). Das outras coisas ambientadas aqui, só consigo pensar em fantasias urbanas tradicionais mesmo (me indiquem outros, se conhecerem).

Uma das únicas coisas que me incomoda no livro é justamente relacionada a esse worldbuilding: apesar de ser bem claro que essa "atividade fantástica" é publicamente conhecida pelos adormecidos (ou os humanos "normais"), tive a sensação, em alguns trechos, de estar lendo uma baixa fantasia urbana - acho que por conta de algumas explicações inseridas. Foram poucos os momentos, mas por exemplo lembro de um trecho em que um humano é possuído por um onírico, mas fica todo incrédulo quando acorda e a situação tem que ser explicada pelo protagonista.

Outro ponto é que achei que a maior parte do enredo principal acontece da metade pro fim da história. Não achei nada supérfluo - não consigo pensar em um trecho a ser removido do começo, por exemplo - mas tive a impressão que a gente começa seguindo um rumo e depois mergulha em um outro conflito principal. Isso deu uma sensação leve de "correria" no final. O final, aliás, é incrível! Merece mais de uma leitura. Hehe...

Uma última observação, essa bem particular, é que gostaria de ver o incrível worldbuilding mais explorado "graficamente". Por exemplo, mais detalhes sobre o processo de exorcismo e sobre o reflexo em que se passa a história, só que fora de Libertà. As poucas inserções sobre a história pregressa e sobre o mundo em si me deixaram bem curiosa. :)

Uma leitura MUITO recomendada e querida. <3
5 pessoas acharam isso útil
0Comentar Informar abuso Link permanente

Detalhes do produto

4,6 de 5 estrelas
13 classificações de cliente
R$17,91