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11 de junho de 2017
As antigas histórias de ficção científica nos faziam pensar. Muito mais do que apresentar um ambiente futurista com lasers e naves espaciais, bons livros de ficção científica eram críticas sociais ou reflexões sobre a própria natureza humana. A proposta desse conto cai no segundo caso. Mas, será isso suficiente para sustentar uma boa história? Bem, para mim, O Céu de Lilly entrou facilmente para a minha lista de melhores leituras do ano.

Após uma tragédia apocalíptica que impediu os homens de sequer olhar para as estrelas, muitos grupos agora precisam lutar para sobreviver. Lilly e sua família precisam lidar com inúmeras situações perigosas e em muitos momentos a desesperança toma conta de todos. Mas, mesmo assim Lilly ainda continua desejando encontrar o brilho que existe nas estrelas. Um brilho esse que pode ser mortal para alguns, mas que pode representar o mundo para a nossa protagonista.

Eu sei, eu sei... essa sinopse e nada é quase a mesma coisa, certo? Certíssimo. Mas, essa história é tão boa que eu fico preocupado de revelar qualquer elemento que possa comprometer o andamento da história. Fato é que o autor trabalha inúmeros assuntos extremamente pertinentes. Por exemplo, a própria noção de liberdade do homem. Uma das coisas que talham a presença humana no planeta hoje é a noção de que temos a liberdade (na maior parte dos lugares). Podemos ir de um lugar para o outro, temos a nossa vida. Somos capazes de olhar para o céu e pensarmos em sua imensidão ou simplesmente apreciar um alvorecer ao lado de um boom amigo ou de uma mulher amada. Quando essa liberdade é retirada, o ser humano se desespera, retorna a seus instintos primitivos. Isso porque como somos o topo da cadeia, sempre desejamos mais. Não conhecemos as mazelas que um animal que possui predadores passam. Por esse motivo essa história parece tão aterradora quando paramos para pensar um pouco mais nela.

Ao mesmo tempo fico pensando em outro sentido de liberdade trabalhado pelo autor. O homem sempre desejou voar, ir ao espaço, tocar as estrelas. Quando isso é retirado dele, tudo o que sobra é o desespero. A constatação de que estamos limitados a um espaço do qual não podemos sair. Esse é um tema que lembrou muito um dos meus livros favoritos, O Fim da Infância, de Arthur C. Clarke. Nele os seres humanos passam a ser governados por uma raça alienígena que fornece a cura para todas as doenças, a longevidade e muitos outros benefícios em troca de que os homens jamais se voltem para o espaço. O que vemos é que o homem é um ser expansionista por natureza. Quando retiramos essa aptidão dele, ele se estagna. E não aceita bem esse tom estático. No livro de Clarke, o homem acaba se voltando contra seus benfeitores; aqui, Lilly deseja a todo custo poder olhar para as estrelas. Ela ainda mantem forte esse instinto dentro de si.

O desenvolvimento do enredo é muito bom. Isso porque o autor não mostra muito. Ele vai descrevendo as situações sem apresentar os motivos por trás. Por exemplo, em nenhum momento, Fábio M. Barreto nos diz o que aconteceu propriamente com o mundo. Algo aconteceu e o que é necessário sabermos é que o grupo de Lilly precisa sobreviver, O tema é a sobrevivência. O que veio antes não importa à narrativa. Isso contribui para o dinamismo da história contada pelo autor. Ele não se perde em grandes introduções ou plots que não acrescentam nada no final. O enredo também é contado de maneira direta. Não existem desvios de narrativa. Isso porque a motivação do autor é apresentar as sensações da protagonista diante daquilo que se passava ao seu redor.

Outro tema muito bem trabalhado pelo autor é a solidão. A preocupação de Lilly em ficar sozinha vai se agravando com a perda progressiva dos membros do seu grupo. Vamos vendo o desespero crescente e a noção de que não havia absolutamente nada que ela pudesse fazer para mudar aquela situação. Isso porque ela se apoiava em seus colegas para conseguir manter sua sanidade e esperança diante de um mundo devastado. Mas, quando Laura sai para caçar e não retorna mais, percebemos na expressão da menina o quanto aquilo a afetou. Aliás, as descrições sensoriais são um ponto alto da pena do autor.

A partir dessa última frase eu posso fazer um link com o que eu queria destacar a seguir: a sensibilidade sensorial da narrativa. As descrições feitas pelo autor afetam a todos os sentidos. Sejam os ruídos de uma ambientação desolada, a fome que assola a todo o grupo, o sentimento de que alguma coisa deseja tomar a vida de todos. Enfim, o autor trabalha com os sentidos dos leitores. Isso faz com que a narrativa seja altamente imersiva. Me lembro de em alguns momentos conseguir silenciar tudo o que havia ao meu redor e me sentir ao lado de Lilly passando por aqueles momentos tão difíceis. E sentir um raio de esperança nos momentos finais.

Fábio M. Barreto escreveu um conto muito reflexivo. Fazendo uma clara homenagem a ícones como Arthur C. Clarke e H.P. Lovecraft, o autor nos traz uma narrativa que nos diz o que faz do ser humano um ser social. Quando a solidão diante de um mundo cruel se manifesta, Lilly se agarra em um dos poucos sentimentos que a mantém no caminho: a possibilidade de olhar para as estrelas e voltar a sonhar com um mundo melhor.
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