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23 de agosto de 2019
Para os fãs das obras anteriores do autor (1808,1822,1889), este livro que é o primeiro de uma trilogia sobre a escravidão é uma recomendação fácil. Nele, o autor começa a mostrar como o escravidão interligou de forma cruel e sangrenta as histórias de Portugal, Brasil e África.

Este volume contém uma breve e esclarecedora história da escravidão na humanidade, mas seu foco é mesmo no estudo de como e do porquê a escravidão negra na África foi levada a cabo por Portugal para povoar e explorar suas terras 'descobertas' na época das grandes navegações. Para entender este ponto, passa-se pelas navegações portuguesas, do início da ocupação brasileira (com o genocídio indígena) até chegar na solução para a mão-de-obra do Brasil: os escravos africanos.

Neste processo, mostra-se como se sucedeu o processo escravizador na África desta época e o uso de escravos nas colônias portuguesas e espanholas, com ênfase no Brasil até a queda do quilombo de Palmares no final do século XVII. A continuação do relato dos séculos XVIII em diante continuará nos próximos dois volumes.

O capítulo sobre a história da escravidão na humanidade é especialmente interessante, trazendo os costumes de várias civilizações e povos da história (egípcia, greco-romana, muçulmanos, europeus, etc). Há um material bem rico sobre a origem dos escravos da África e para onde se destinaram no Brasil e nas Américas.

O ponto mais chocante do livro (apesar de todo ele o ser para qualquer leitor desta época) é o relato sobre como eram os navios negreiros. Aí consegue-se entender de forma mais nítida o que Castro Alves quis contar em sua poesia...

Sua escrita continua clara e os fatos são expostos de forma bem acessível. O tema tratado é muito relevante, pois é muito pouco abordado na escola e com pouca profundidade. Para o Brasil, o último país das Américas a abolir a escravatura e com a segunda população com raízes negras do mundo, atrás apenas da Nigéria, esta é uma obra muito bem-vinda para que um tema tão importante seja levado a mais pessoas fora do mundo acadêmico. Entender suas raízes escravocratas podem ajudar os brasileiros a entenderem por que motivo os negros encontram-se tão oprimidos social e economicamente no Brasil até o século XXI.
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