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29 de setembro de 2017
A voz disse, Clama, Ele disse: Por que hei de clamar? Toda carne é relva, e toda a sua beleza é como a flor do campo: A relva seca, a flor murcha: porque o espírito do Senhor sopra sobre ela: em verdade, a gente é relva. A relva seca, a flor murcha: mas a palavra de nosso Deus permanecerá para sempre (Isaías 40:6-8).

Do homem dizemos que ele é relva.
Folhas são páginas de um livro; são também palavras apressando um novo nascimento.

Existem muitas hipóteses sobre o sentido pretendido com a figura “folhas de relva”. Na ficção homérica das folhas, cada uma representa uma vida mortal que se vai.

Imaginamos Whitman um vadio, um vagabundo, à vontade, observando o que mais merece contemplação, um fio de relva no verão. Em “Folhas de Relva”, todo o drama é interiorizado. Whitman se divide em três – eu, o Eu real, a alma – que discutem ao longo de toda a obra. Whitman recorre frequentemente em seus poemas à sua quádrupla imagem figurada da morte, noite, mãe e mar.

Por que a versão de 1855 de ‘Folhas de Relva” é especial?

Por ser a versão original – a primeira –, e também por ter sido muito bem convertida para o português, trabalho de Rodrigo Garcia Lopes, poeta, compositor e jornalista.

O principal e o mais conhecido poema do livro é “Canção de Mim Mesmo”. Nenhum outro poema da literatura americana pode se equiparar a “Song of Myself”. O leitor deve ler o poema como uma peça de mistério, com Whitman interpretando visivelmente o papel de Cristo. Abaixo uma descrição afetuosa de ‘Mim mesmo”, que consta da seção 4:

Longe de empurra-empurra e dos solavancos está o meu eu,
Entretido, complacente, compassivo, ocioso, unitário;
Baixa o olhar, ergue a cabeça, apóia-se no braço, descanso impalpável,
Olha de soslaio, curioso a ver o que vai acontecer,
Ao mesmo tempo, no jogo e fora dele, assistindo e pensando no que vê.

Belíssimo, não é? O segundo melhor poema da edição de 1855 é “The Sleepers – Os Adormecidos”, que deve ser lido obrigatoriamente nessa edição porque Whitman o mutilou ao revisá-lo. O objetivo de Whitman, como poeta, nesse segundo poema, é alcançar um entendimento de sua alma, que está sempre ameaçada pela noite e pelo mar, e assim corre o risco de perder uma identidade clara. “A alma só conhece a alma”, diz o aforismo de Emerson.

Os verbos de Whitman, assim como suas ligações eróticas, são em grande maioria intransitivos. Assim, para ler o poeta de maneira certa, temos de nos manter constantemente intransitivos. Você e eu, como Whitman, queremos ser levados ao pé da letra, mas temos de ser tomados figurativamente.

Enfim, Whitman chegou a mim logo depois de eu ter lido Fernando Pessoa e Wallace Stevens, precursor de ambos. Ele é Adão e Cristo, o Velho Homem e o Novo, e, a exemplo do discípulo incrédulo, somos instados a tocar o corpo ressuscitado, enquanto ele passa diante de nós. Digo que é difícil acompanhar Whitman; ele está sempre a passar e a nos ultrapassar; ele está sempre abrindo novos caminhos; ele é um poeta ainda mais difícil do que Pessoa, não na composição, mas ao enganar o leitor de início. Boa leitura!
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