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21 de janeiro de 2016
Sinopse

“Mentirosos” foi uma das grandes surpresas que tive em 2015. Li no último dia do ano, depois de ter fechado todas as listas de melhores leituras. Com certeza, ele teria entrado nelas. “Mentirosos” conta a história de Cadence, uma jovem que passa todos os verões na ilha particular da família Sinclair, a qual ela pertence. Entre os presentes, estão seus melhores amigos, um grupo inseparável chamado Mentirosos. Eles são Cadence, Mirren e Johhny, três primos da mesma idade. O quarto é Gat, amigo de Johnny e sobrinho do novo marido de sua mãe. No verão em que eles completam quinze anos, acontece um acidente que muda para sempre o destino de Cady, fazendo a jovem ter uma amnésia do período do acidente e entrar num processo de enxaquecas e depressões. Dois anos depois, aos dezessete, ela volta à ilha com sua família, e começa a tentar descobrir o que aconteceu.

We were liars

Em inglês, esse é o título do livro, que em português seria “Nós éramos mentirosos”. É desta forma que o grupo se afirma. É interessante perceber que LIARS é um anagrama contido na palavra SINCLAIR, o que dá uma característica transgressora aos jovens. A família Sinclair é tradicional, milionária, orgulhosa. Ao se afirmarem como LIARS e não SINCLAIRS, eles estão se mostrando como jovens rebeldes, ao menos nas entrelinhas. E essa é uma característica chave para entender a obra e toda a surpresa que ela trará nos capítulos finais.

Rei Lear

Apesar de parecer perfeita, a família Sinclair está se destruindo aos poucos. Além de perdas financeiras constantes e da luta para manter o padrão que possuíam, as três filhas do patriarca da família brigam pela herança de uma forma agressiva, e até um pouco patética. A obra “Rei Lear” de Shakespeare é citada em Mentirosos, fazendo uma referência interessante: traz mais uma vez a brincadeira escrita LIAR-LEAR, tão trabalhado na obra, como um enredo similar, já que “Rei Lear” conta a história de filhas brigando por uma herança.

As obras de Mark Twain

O personagem Gat, único presente que não pertence à família, faz diversas críticas sociais durante a obra. Ele critica a ostentação da família, o preconceito escondido por trás de uma aparente benevolência, entre outras coisas. Um dos exemplos que ele cita é o fato dos outros três mentirosos não saberem nem o nome dos empregados da ilha, apesar de passarem todos os verões com eles. Em determinado momento, a personagem principal, Cady, cita as obras de Mark Twain, falando sobre Tom Sawyer, Huckberry Finn e um terceiro personagem que ela não lembra o nome. Esse terceiro personagem é Jim, um homem negro, com baixa instrução social, que se torna amigo e companheiro de Huck. Essa é mais uma referência interessante, pois além de exemplificar o que Gat criticava, ele traz essa questão da obra de Mark Twain. Para quem não sabe, existe uma forte discussão sobre o conteúdo das obras ser racista ou, ao contrário, ser uma crítica ao racismo.

O Morro dos Ventos Uivantes

Outra obra citada em “Mentirosos” é “O Morro dos Ventos Uivantes”. Gat desabafa com Cady que ele se sente como Heathcliff. E realmente a história tem muitas semelhanças. Ele não é bem visto por algumas pessoas da família por não ser branco e loiro como todo o resto. Além disso, passa a frequentar a família ainda na infância, como Heathcliff. E desenvolve uma paixão por Cady parecida com a de Heathcliff e Cathy.

Conclusões

Em meio a tantas referências interessantes, “Mentirosos” consegue construir uma história surpreendente e emocionante. Com um final que deixa os olhos do leitor cheio de lágrimas, o livro mostra escolhas irreversíveis e acontecimentos que podem deixar uma cicatriz enorme em todos os membros de uma família. Leitura imperdível.
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