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6 de fevereiro de 2019
Preciso começar dizendo que essa resenha irá conter SPOILERS – SPOILERS - SPOILERS e não são poucos. Por isso, se você decidir lê-la saiba que vai perder qualquer surpresa que haja no livro.

Para resumir bem do que se trata Talvez Um Dia, é sobre Ridge e Sidney. Ele mora no apartamento do outro lado e suas varandas são de frente uma para outra. Ridge gosta de tocar violão e a Sidney aprecia ouvi-lo. Ambos estão comprometidos, mas, um certo dia, ele vê que o namorado da sua vizinha a está traindo e então, como tem o número dela, conta a ela por mensagem toda a situação. Sydney se vê sem rumo e para não ser obrigada a voltar para a casa dos pais, ela aceita quando Ridge a convida a ficar um tempo no apartamento dele. Por ela tudo bem, mesmo que eles mal se conheçam.

Já instalada no apartamento do Ridge ela descobre que ele é surdo. Como ela está sem emprego, e ele está com bloqueio criativo, juntos ambos começam a se ajudar e passam a criar músicas. Um sentimento vai crescendo entre eles até que Sydney descobre que ele tem namorada. Ela já está envolvida demais e Ridge também, então os dois precisam lutar para que esse sentimento seja enterrado, afinal, Sidney não quer agir como seu ex e Ridge não quer deixar Maggie, porque tem certeza de que a ama.

Até uma boa parte da história eu consegui ignorar e passar por cima de todas as coisas que estavam me incomodando um pouco. Eu sabia desde sempre que seria um triângulo amoroso e, embora eu sempre me irrite quando me deparo com um, por ser Colleen Hoover e eu amar sua escrita, eu resolvi dar uma chance ao livro. E A escrita da autora é impecável. Eu sempre vou defender que ninguém tem o talento de saber usar as palavras com tanta poesia, sabedoria e sentimento como Colleen Hoover e aqui não foi diferente. Eu amei as partes da música e a cena em que o Ridge tentou mostrar para a Sydney como ele conseguia sentir as vibrações. Cara, foi um momento lindo e eu estava completamente emocionada, mas sabendo o quanto aquilo era errado. Eu me emocionei com o drama do Ridge e o motivo de ele não querer treinar a fala.

Então, eles se beijaram e a traição aconteceu. A partir daí tudo desandou para mim. Não foi exatamente pelo fato de um beijo ter acontecido. Talvez eu tivesse consigo superar até isso, apesar de não concordar e de não achar certo. Só que depois disso, tudo o que o Ridge e a Sydney faziam era ficarem se torturando com os sentimentos que aumentavam cada vez mais e tentando de um jeito nada convencional se afastarem, porque, sério, como você tenta se afastar de alguém dividindo o mesmo ambiente que ela? E não me venha com “mas ela estava desempregada, não tinha onde ficar”, porque lá para o final, quando o Ridge diz para ela que ela não pode mais ficar, rapidinho eles dão um jeito. Como esse jeitinho não foi possível de ser dado antes? E olha que conveniente! Depois que ela se mudou ela conseguiu um emprego!

Para mim o Ridge foi um babaca. Primeiro, ele simplesmente deixou passar um tempão até contar para Sydney que tinha namorada. Como assim, gente? Ele já tinha percebido que havia clima, mesmo que só físico, podia ter cortado contando logo de cara e assim a menina não ia se envolver tanto. Eu fiquei triste de um personagem na condição dele, algo a ser explorado com tanto cuidado e representatividade fosse colocado nessa situação. Será que seria tão fácil perdoá-lo se não fosse todo o drama por trás do fato de ele ser surdo? Me perguntei isso várias vezes. Achei completamente injusto a forma como ele não queria perder nenhuma das duas garotas. Se ele tivesse sido honesto com a Maggie e contado que tinha beijado a Sydney, e dado a chance de ela escolher se queria continuar com ele ou não, talvez eu tivesse gostado um pouco mais dessa história. Não consegui deixar de compará-lo ao Miles. Miles foi um babaca? Apesar de amar O Lado Feio do Amor, eu reconheço que sim, não vou passar pano, mas pelo menos ele sempre foi honesto e deixou as claras o que ele esperava e o que realmente queria com a Tate.

No fim das contas, senti que tentaram tapar o sol com a peneira. Aquela carta em que o Ridge diz que já sentiu suas batidas mudarem no momento em que viu a Sydney na sacada, me fez questionar o fato de por que motivo ele já não se distanciou dela ou deu um jeito de outra pessoa ajudá-la? Eles simplesmente deixaram que as coisas chegassem onde chegaram. Outra coisa foi o fato de o Ridge ter respeitado mais o amigo dele e ter resistido a Maggie do que ter respeitado a própria namorada. Quando ele fala sobre o episódio em que ambos já estavam apaixonados quando a Maggie estava com o amigo dele, eu fiquei pensando que a autora levou ao pé da letra o ditado “tudo que vai e volta”, porque foi um ciclo do tipo: pessoas se apaixonando e querendo pessoas que não podem ter, sendo que as coisas nem sempre voltam do jeito que elas foram. E, finalizando aqui, mesmo com a passagem de tempo para se decidirem, senti que a Sydney era segunda opção e não achei nem um pouco bacana ele dizer que mesmo amando ela, se a Maggie pedisse ele voltaria. Cara, como assim? E seu amor próprio, Ridge, onde fica? E o fato de você saber que nunca poderia fazê-la feliz do jeito que ela merece, porque amar, ainda que não seja de forma romântica, é isso: ser honesto.

Talvez Um Dia é uma história bem escrita, com passagens lindas sobre a música e a forma de senti-la. Eu queria mesmo ter amado esse livro e ter passado por cima do tudo que falei, mas não deu. Porém, eu digo: leiam e tirem suas conclusões porque cada leitor sempre sente a história de um jeito único e vejo que muitas pessoas curtiram bastante essa obra.
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