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30 de julho de 2017
Gabo, como leitor de Faulkner, Borges, Kafka e Hemingway, não poderia ter criado uma obra fantástica mais grandiosa.
Autor de diversas obras, a questão da busca da identidade latino-americana sempre foi tema chave de suas narrativas, uma vez, que conforme o mesmo salientou em seu discurso na Suécia em 1982, ao ser premiado com o Nobel, a América Latina sempre foi subjugada, despida e abandonada após a colonização, além da usurpação de suas riquezas.
Expôs ali de forma comovente, as 05 guerras sofridas, os 19 golpes de Estado, os 120 mil desaparecidos e a morte de 20 milhões de crianças antes de completarem dois anos.

Focado, portanto, na questão da solidão latino-americana, no seu esquecimento e não reconhecimento, García Márquez nos presenteia com uma obra magistral, na qual, com pitadas fantásticas, narra tudo aquilo pelo qual sofremos, desde o totalitarismo, o roubo de propriedades, a ditadura, os traços do capitalismo do explorador para com o explorado, até questões ligadas à nossa própria cultura e história, assim como o incesto e o machismo.

É bem verdade que tudo que ocorre na cidade imaginária de Macondo (local central da narrativa) não existe, mas, poderia existir.
Quando descreve o massacre aos povos latinos na obra, Márquez utiliza-se de histórias reais, como a Guerra dos Mil Dias e o massacre dos trabalhadores bananeiros em Ciénaga, no ano de 1928, ocasião, na qual, contabilizou mais de 100 mil mortos.

A obra é tão rica, que poderíamos fazer fáceis paralelos com Hannah Arendt, Rousseau, Hobbes e José Afonso da Silva, no tocante a construção de sociedade plural, de equidade, de justiça (ou na falta dela), além do porquê de termos tamanhos problemas econômicos na América Latina.
Deste modo, fica claro que o prazer na leitura advém não somente da forma bela da escrita de Gabo, e, sim, via a identificação de cada um de nós com o livro e nossa própria história, sendo, portanto, recomendável a leitura.
Se privar de ler Cem Anos de Solidão, é se privar de se conhecer.

No tocante à estética, a Editora Record deveria utilizar de um material melhor, suas folhas são de baixa qualidade, mas, suportável, tal qual atestam as imagens. :)
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