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5 de janeiro de 2019
Eu sei por que o pássaro canta na gaiola é uma autobiografia de Maya Angelou carregada de sofrimento e superação.

O livro traz a história da jovem Marguerite que nasceu em 1928 e foi morar com a avó em Stamps, Arkansas, após a separação dos pais. A jovem cresce no mercado da avó entre as décadas de 30 e 40 numa cidadezinha ao sul dos Estados Unidos onde ouve as histórias dos negros que trabalhavam colhendo algodão e aprende matemática na prática ao pesar grãos e passar trocos. Aos poucos, sua consciência é construída sob influência desses relatos tão frequentes, da religiosidade da avó, dos livros e da sabedoria precoce do irmão.

“Se crescer é doloroso para a garota Negra do sul, estar ciente do seu não pertencimento é a ferrugem na navalha que ameaça a garganta.”

Maya cresce se achando feia e excluída, seja por causa de sua cor ou pela forma como era tratada pelos brancos, sua auto aceitação ainda piora quando ela sofre abuso sexual por parte do namorado da mãe. Ao longo do livro é possível sentir “a culpa” que ela carrega pelo ocorrido, seja por causa do julgamento, pela situação em si ou pelo fim que o homem teve, é incrível a sutileza e a perenidade em que essa ‘culpa’ permanece ao longo da vida da vítima. A descaracterização parcial de seu físico que veio com o alisamento dos cabelos trouxe à jovem certo conforto, pois agora parecia mais com a mãe e menos com as pessoas sofridas da cidade onde cresceu.

Maya Angelou foi escritora, poeta, atriz, cantora, uma artista completa e nessa sua auto biografia é possível perceber sua esperteza e sagacidade tanto por se destacar intelectualmente na escola da cidade grade e ser adiantada uma série, como por sua determinação e garra de ir em busca do seu sonho de trabalhar numa profissão em que não era acessível aos negros.

“A mulher negra é agredida nos anos jovens por todas essas forças comuns da natureza ao mesmo tempo em que fica presa no fogo cruzado triplo do preconceito masculino, do ódio branco ideológico e da falta de poder Negro.”

Uma parte do livro que me trouxe bastante reflexão foi na formatura escolar de Maya em que o seu colega de classe está discursando sobre o futuro e suas perspectivas, mas tais palavras pareciam vazias, pois que opções aqueles jovens negros teriam além de cursos que os preparavam para os mesmos empregos desprestigiados? A escola de agricultura e mecânica, ao final das contas apenas treinava mais carpinteiros, fazendeiros, pedreiros e empregadas. Essa falsa opção de ter escolhas, uma escravidão velada.

“[…] se meu irmão quisesse ser advogado, ele teria que primeiro pagar uma pena pela cor de sua pele colhendo algodão e capinando campos de milho e estudando por correspondência à noite por vente anos?”

O Eu sei por que o pássaro canta da gaiola me lembrou a leitura de O Sol é para todos, pois ambos são narrados por crianças e abordam o racismo sofrido pelos negros ao Sul dos Estados Unidos por volta da década de 30.

Esse livro é um misto de sofrimento, realidade e beleza. A luta diária de Maya, suas superações e força são inspiradoras.
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