Avaliações dos clientes

30 de abril de 2016
Raul Pompéia faleceu precocemente, deu um tiro no peito numa noite de Natal, encerrando uma promissora carreira literária. Porém, passado mais de um século de sua morte, sua imagem permanece viva, graças a obra-prima "O Ateneu".

Apresentando inúmeros elementos expressionistas, impressionistas, naturalistas, além de simbolistas e parnasianos, a superposição de estilos dificulta o vínculo do livro a uma única corrente estética, transcendendo a difundida alcunha de "único romance impressionista brasileiro".

Seu foco narrativo é a formação do caráter, "apresentado como um processo ambivalente e contraditório, cheio de derrapagens e desvios, sendo que nem sempre é possível moldar uma personalidade para enfrentar a vida."

Com forte conteúdo pessoal, curiosamente, seu texto apresenta um enganoso subtítulo, "Crônica de Saudades", ao recriar em parte, as experiências do próprio autor que ainda menino viveu um período de sofrimento e solidão num internato.

Através de Sérgio, seu alter ego, é narrada "a memória adulta de uma experiência juvenil". Entre um e outro episódio, vai sendo desmascarada a miséria moral e a corrupção abrigada nos subterrâneos do rígido e elitista "Ateneu", fato que destruiu suas primeiras ilusões, marcando para sempre a vida da personagem.

A narrativa traça uma interessante comparação entre o educandario, onde reina a lei dos mais fortes, e a sociedade da época, vivendo o ocaso do Império e a alvorada da República. O desfecho aponta para os melindres do poder e suas consequências. Sem dúvida, uma questão que desperta curiosidade, boa leitura!
1 pessoa achou isso útil
0Comentar Informar abuso Link permanente

Detalhes do produto

3,4 de 5 estrelas
7 classificações de cliente
R$23,50+ Frete GRÁTIS em pedidos enviados pela Amazon acima de R$ 99 em livros ou R$ 149 em outros produtos.