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Avaliações dos clientes

10 PRINCIPAIS AVALIADORES
10 de dezembro de 2017
“Quando era rapazote, eu também tinha a mão ativa e a língua preguiçosa.
Mais calejado, vejo que é a língua, e não a ação, o que se impõe aos homens.”
(Fala de Odisseu, no começo da história)

Na “Divina Comédia”, de Dante, a fraude está entre os pecados mais graves; nas camadas profundas do inferno estão os que abusaram da fala, um dom divino, visando obter ganhos, em detrimento dos demais. Odisseu mente e rouba em nome da pátria, cuja única ideia é explorar Filoctetes. Estará ele representando a vontade de todos os cidadãos gregos? Pouco provável na opinião de Sófocles: “Tudo se torna repugnante quando somos falsos à nossa própria natureza e nos portamos de forma indecorosa”. O oportunista malogra na sua argumentação falaciosa, tornando-se um personagem menor no decorrer da trama.

Sófocles escreveu a peça no final de sua vida – aos 85 anos – e, mesmo assim, ganhou o concurso em que participou. A narrativa gira em torno de um jovem e habilidoso arqueiro, Filoctetes, abandonado sozinho na ilha de Lemos, devido ao odor fétido exalado de seu pé, mordido por uma serpente guardiã do santuário da deusa, após violar o espaço sagrado. Você não pode ter uma concepção de liberdade sem desenvolver uma concepção do mal. O desastre vem simplesmente de ele, inadvertidamente, vagar em um recinto sagrado onde não devia estar. Para Filotectes, diferentemente de Robinson Crusoé, o isolamento físico representa um tipo de morte social. Ética, fragilidade e ambição são outros temas abordados; tópicos que conferem atualidade à tragédia.

Sófocles, brilhantemente, introduz uma terceira pessoa à história que irá simpatizar com Filotectes. Esse novo personagem é Neoptólemo, o jovem filho do falecido Aquiles, que, junto com Filotectes, é indispensável à vitória dos gregos e acaba de ser convocado a Troia. Sem dúvida, sua evolução como mediador entre Odisseu e Filoctetes é fundamental na trama, mas só se for pensada em função de Filotectes: “todos os pressupostos em que se sustenta o início da peça são destruídos pela emergência da verdade em palavras e sentimentos”.

Há um outro ponto forte no livro: “Quando somos jovens, as histórias não parecem terminar quando viramos a última página”. Foi exatamente a sensação que tive após ler a belíssima tradução e a análise feita por Trajano; ambas baseadas em sólidas referências bibliográficas. Filotectes permanece em nossa mente, e sua ferida incurável e seu arco invencível nos vêm à lembrança com particular insistência.

No final, o leitor vai encontrar o célebre ensaio “A Ferida e o Arco”, de Edmundo Wilson, crítico literário falecido em 1972, e “adversário contumaz” de Harold Bloom. Escreve E. Wilson: “Filotectes, como o proscrito Édipo, é um homem arruinado, humilhado, abandonado por seu povo, exasperado pela penúria e pelo sofrimento. Ele é amaldiçoado: a chaga de Filotectes é um equivalente dos execráveis pecados de Édipo”.

Boa leitura!
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