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27 de janeiro de 2017
Muitas vezes me parece que a literatura floresce bem perto da sua beleza máxima nos momentos de muita dor. Podemos conferir isso em diversos clássicos da literatura clássica e contemporânea. Em À Sombra da Figueira, comprovamos isso mais uma vez: da dor nasce a boa literatura.

Nessa obra, conheceremos o mundo através dos olhos de Raami. Ela é ainda uma criança, apesar de não ter uma vida como a de todas as outras. A menina faz parte da família real, o que torna sua vida um pouco melhor. Porém, isso não a livra do que estaria começando: uma guerra civil no seu país natal, o Camboja. Com o início do enfrentamento, ela sofreria consequências nefastas.

Nesta guerra, temos de um lado um grupo com o apoio dos norte-americanos e, do outro, o grupo comunista. Aliás, algo típico em praticamente todas as guerras do período. O pai de Raami, a princípio, parece apoiar o regime vermelho, visto que lhe dá a sensação de ser mais humanitário e de buscar o bem de todos. Porém, quando se está em estado de guerra, a realidade é muito diferente.

“– Você já acreditou neles.Eu me perguntava que tipo de raça era.– Não, não neles. Não nos homens, mas nos ideais. Decência, justiça, integridade... Eu acreditava nisso , e sempre acreditarei. Não só para mim, mas para nossas filhas” (p. 24).

A família real começa a perceber isso quando pessoas chegam a sua casa e os mandam sair. Estavam sendo retirados de sua própria casa, com ordem de levar apenas o que pudessem carregar. Era para ser temporário, mas foi apenas o início de um longo drama que se seguiria por um bom tempo.

A partir dessa premissa, Vaddey Ratner cria um livro tocante e que fala à alma do leitor. Através de cada detalhe e de cada sofrimento que acometeu muitas pessoas naquele período, somos levados a refletir sobre a realidade da guerra, sobre como a vida, a liberdade e a felicidade são artigos raros e frágeis. Isso deixa a obra com uma delicadeza toda especial que certamente ganhará aos leitores que curtem obras com maior apelo emocional.

Outro ponto extremamente positivo da obra foi a possibilidade de conhecer uma nova cultura; no caso, a cambojana. Sem ensinar diretamente, a autora nos faz desbravar costumes, lendas e mitos. Ademais, ainda é possível aprender uma quantidade significava de fatos sobre a história do país, visto que o livro possui um profundo embasamento histórico, tornando todo o enredo mais real.

“A ausência é pior que a morte. Quando se desaparece subitamente sem deixar rastros, é como se nunca se houvesse vivido” (p. 28).

Vale destacar também a qualidade dos personagens criados, em especial a Raami. Vaddey deu uma carga psicológica enorme a personagem, o que não é tão comum na literatura, visto que a protagonista é uma criança. Devido a isso e aos diversos problemas enfrentados, acompanhamos um amadurecimento que consegue ser belo, apesar da dor. Isso, somado com os elementos anteriormente mencionados, forma uma obra acima da média.

Quanto à parte física, o livro também merece elogios. A capa é simples, mas bela e chamativa. A diagramação é trabalhada e dá um aspecto visual elegante para a obra. A revisão e tradução estão boas, como já é padrão da editora. Ou seja, tudo contribui para uma ótima leitura.

Vaddey Ratner cria, com base em todos os elementos já mencionados, uma obra marcante para o leitor e mostra-se como um nome para ser acompanhado de perto. Ainda ouviremos falar bastante dela. Obra mais do que recomendada.

Para mais resenhas, acesse o site Desbravador de Mundos.
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Detalhes do produto

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