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25 de março de 2018
Em 1912, a escritora inglesa Virginia Stephen casou-se com o editor Leonard Woolf, iniciando uma união de 29 anos que culminou com seu suicídio cuja causa estava ligada a distúrbios psíquicos que a perseguiram desde a adolescência.

Em sua carta de despedida, ela revela seu amor e gratidão ao marido, algo que causou estranheza, pois não era segredo os inúmeros relacionamentos homossexuais que manteve ao longo da vida.

Uma de suas amantes foi a escritora Lady Vita Sackville-West. Conhecida pelo premiado poema "The Land", "Orlando" foi um presente de Virginia para ela durante um período particularmente difícil. Filha única de barões, Vita havia perdido as propriedades da família, já que as leis inglesas não garantiam o direito de herança do patrimônio imobiliário às mulheres.

Esta questão é tratada no romance que curiosamente não apresenta o fluxo de consciência, uma característica do estilo de Woolf. Mesmo assim, seu entendimento continua complexo, pois alguns pontos apresentados pertenceram a intimidade das duas mulheres e permanecem obscuros aos olhos do leitor. Logo, é impossível não associá-lo a “Alice” e Lewis Caroll, já que muitas piadas e enigmas das aventuras da personagem só eram compreensíveis para o autor e a pequena Alice Liddel que lhe serviu de inspiração.

Em linhas gerais, "Orlando" é um romance marcado pela modernidade. Assumindo o papel de biógrafa, Mrs Woolf exibe uma paródia protagonizada por um nobre inglês que se transforma em mulher por volta dos trinta anos. Sem dúvida, chama atenção a perspectiva feminista, já que a personagem só atinge o amadurecimento, ao assumir o novo aspecto, ou melhor, ao aprender a lidar com assuntos até então desconhecidos, como submissão e conquista do poder pela sedução. A mudança de gênero ocorre, enquanto Orlando está dormindo e surpreende pela naturalidade como ele encara a novidade, sem se dar conta da profunda mudança pelo qual passará.

Também pode ser considerado um romance histórico, já que o protagonista é bafejado pelo sopro da imortalidade. No início, ele não passa de um adolescente escolhido como favorito da Rainha Elizabeth I e, no final, apresenta-se como mãe e esposa durante o reinado de Jorge V, em 1928. Cobrindo 350 anos, é possível acompanhar tanto sua mudança pessoal como da própria Inglaterra. Começando lenta, esta transformação vai ganhando velocidade conforme o país avança através da Revolução Industrial e, para não perder o fio da meada, aconselho ao leitor fazer uma lista dos reis ingleses com as respectivas datas de acensão ao trono.

Outro aspecto interessante é a forma como Mrs. Woolf ridiculariza a literatura inglesa. Os críticos e estudiosos estão sempre voltados para o passado e os escritores, sob o manto da genialidade, são pessoas destituídas de qualquer glamour, mais preocupadas em sobreviver do que com a própria glória. Aliás, sua única concessão cabe a Henry James e seu livro "O Amante de Lady Chatterley".

Para finalizar, desafiando a passagem do tempo e tratando da questão de gênero, a prosa de Woolf destila poesia. Sua escrita prima pela ousadia, longos parágrafos, virtuosismo linguístico além de inequívoco embasamento intelectual. Acredito que a melhor definição para o livro, tenha sido de Nigel West, filho de Vita: ""Orlando" é a mais longa e encantadora carta de amor de toda a literatura".

Nota: Adquiri o e-book que, com índice ativo completo, atendeu minhas expectativas.
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