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10 de junho de 2019
Dragão Negro ser publicado nos dias de hoje é como encontrar uma surpresa esquecida no fundo de um baú cheio de relíquias de um mundo literário que não existe mais. A fantasia pulp, muito bem representada aqui, pode soar e ter um formato datado (Principalmente para alguns leitores preguiçosos), mas é progenitora de um legado glorioso.
A história envelheceu, claro. E envelheceu bem para quem souber apreciar.
Todas aquelas páginas encharcadas com diálogos em prosa e balões de algodão contendo pensamentos expositores (Como se retângulos coloridos fossem muito diferente disso), podem soar antiquados, mas conferem uma elegância e sofisticação perdidas, remanescentes de uma literatura clássica que produziu essencialmente todos os clichês mais conhecidos (E as vezes os mais abominados) do gênero. Dragão negro possui uma narrativa sólida como rocha, onde absolutamente quase nenhuma página é desperdiçada em sua estrutura ágil e extremamente coerente. Cada palavra, milimetricamente escolhida em favor de uma profunda caracterização. Cada plano sequência , minuciosamente planejado para transmitir a ênfase e a reverência melodramática exigidas pela da história. Nada é ambíguo e nada é desprovido de sutileza. E, todos aqueles conceitos velhos - Os ideais de masculinidade e feminilidade medieval romântica; As paixões idealizadas; A violência heróica ; A magia misteriosa e sombria; Os vilões caricatos - Ainda hoje, carregam consigo ares de genuína criatividade. Dragão Negro não é só uma homenagem, é uma expressão completa . Uma fonte de inspiração.
E, como em toda boa história pulp e suas herdeiras, acompanhadas por tantos conceitos que fazem as palavras “fantasia” e “ficção” fazerem muito mais sentido, temos também uma camada de sofisticação intelectual e maturidade. Suas histórias e tramas cantam temas existenciais e filosóficos, capazes de despertar tantos níveis de interpretações e conotações que, ao meu ver, lendo as avaliações, expandem idéias até nos mais ineptos como o sujeito que disse que “A história é meio racista” (Aparentemente ignorando completamente tudo o que foi dito e mostrado no caderno ).
Se boa literatura se faz apenas de boas influências, eu não sei, mas o pulp de fantasia nasceu se alimentando de clássicos atemporais como Shakespeare e Cervantes, e com eles trouxeram um pouco do brilhantismo e dos sabores que são simplesmente tão inebriantes de se ler (E de se ver, nesse caso). E assim, Claremont e John Bolton, se alimentando das mesmas fontes, subiram nas costas de gigantes e, com eloquência, produziram excelência.
A fantasia nunca foi tão fantástica quanto naqueles tempos.
Nostalgia? Talvez. Mas trago apenas elogios para Dragão Negro. Valeu cada centavo.
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