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50 PRINCIPAIS AVALIADORES
Avaliado no Brasil em 17 de outubro de 2019
Reli Preacher recentemente. A série inteira, de uma só vez. Ao final da delirante jornada, minha impressão sobre a saga não mudou uma vírgula: ultrapassadas mais de duas décadas desde seu lançamento, o material ainda é uma das melhores coisas já inventadas.

Preacher é um soco no estômago dos puritanos, reacionários e politicamente corretos. Sua crítica social e religiosa é mordaz e nada tem de sutil. Pondo qualquer limite ético de lado e abusando do grotesco e do bizarro, Garth Ennis aborda de forma crua e visceral temas sensíveis como o arraigado racismo do sulista americano e a banalização da violência.

Miolos espalhados pela mesa e sangue servido em taças de vinho é o que temos de mais ameno em Preacher, cujo arco de histórias faz “Pulp Fiction”, de Tarantino, parecer conto infantil.

A brutalidade, entretanto, é contrabalançada por doses maciças de ironia e humor negro, fazendo de Preacher uma HQ marcadamente hilária e divertida.

Nada dito até aqui é novidade. Mas Preacher oferece ainda mais. Possui outros ingredientes fascinantes que são pouco decantados. A começar pelo roteiro em si. Pouco se comenta sobre seu elevado grau de sofisticação, sua complexidade. A trama é cheia de reviravoltas e de ramificações que se desdobram em múltiplos cenários e diferentes pontos de interesse. Temos arrojados avanços e retrocessos temporais. Inserção constante de novos argumentos. Ritmo alucinante. Diálogos afiadíssimos, de uma inteligência, senso de humor e agilidade imbatíveis.

E o que dizer dos diversificados personagens. Mesmo os periféricos são marcantes. Eles se sentem invencíveis, mas também se afogam em comiseração. São irônicos e hipócritas, mas também são assolados por culpas e demônios internos. São capazes de boas ações, de más ações e de péssimas ações. Em resumo, são realistas e humanos pra ca##lho. (Como diz Garth Ennis, o palavrão é fundamental. Faz você parecer adulto).

E ainda tem a arte mágica de Steve Dillon. Ele transmite impressões instantaneamente, pela força que imprime aos traços faciais. Sua narrativa visual conta a história com muito mais eloquência do que o roteirista em boa parte do tempo.

As ilustrações de capa são pintadas por Glen Fabry e só faltam falar. O realismo e o grau de detalhamento chegam a ser doentios. Você consegue ver as veias pulsando, cada ruga, cada músculo, os cravos e espinhas, cada dobra das vestes. Seu trabalho é tão fora da curva que além de levar o Eisner de melhor capista de 1995, as capas de Preacher renderam um livro dedicado somente a elas.

Só pra constar: o trabalho de colorização (Matt Hollingsworth) também foi agraciado com o Eisner.

Em resumo: a via cruxis do reverendo Jesse Custer em busca de redenção é im-per-dí-vel. Preacher continua atualíssimo, colocando o dedo na ferida, chocando e divertindo. Ainda é uma das melhores HQs que o mercado oferece.
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Detalhes do produto

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