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12 de dezembro de 2017
Apesar de não figurar entre os cânones da literatura russa, O jogador é certamente uma das mais intensas narrativas de Dostoiévski. É provável que a pressa do autor em entregar este livro colabore e muito para que o resultado final tenha saído desta maneira, certas vezes inflingindo uma sensação quase sufocante no leitor, como as cenas no casino por exemplo. Esta ânsia pela conclusão da obra se devia ao fato de que se o livro não fosse entregue até 1º de novembro de 1866, Dostoiévski, então profundamente endividado, ficaria 9 anos sem receber um copeque pelas vendas de suas obras (o autor concluiu o romance em 25 dias, no dia 29 de outubro).

A verdade é que o autor é inigualável ao compor obras com personagens caracterizados por algum tipo de perturbação psicológica e Um jogador não foge à esta regra. Nesta romance relativamente curto, Dostoiévski nos presenteia com viciados em jogo, mulheres histéricas, homens enlouquecidos por conta de um amor não correspondido e muito mais. A meu ver este livro peca apenas em um aspecto: a velocidade com que os fatos se desenrolam. Enquanto em "O Idiota" as coisas se arrastam, em Um Jogador, as coisas acontecem à velocidade da luz (refletindo talvez a pressa do autor, como mencionado).

De qualquer forma, o livro vale cada centavo, em especial pela tradução direta do russo feita por Rubens Figueiredo. Só lamento o fato de os clássicos da Penguin lançados aqui no Brasil terem uma capa tão sem graça. As versões importadas são muito mais interessantes e quase sempre são ilustradas com pinturas da época. Se tiver interesse, procure pela capa em inglês (Dostoyvsky The Gambler Penguin).
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