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25 de outubro de 2018
Livro bastante interessante sobre um assunto bem pertinente. O livro inteiro segue a linha de convencer o leitor de uma tese através de vários exemplos da história. A tese é "as nações fracassam porque tem instituições políticas e economia extrativas". Se você gosta de história certamente vai curtir o livro. Eles contam em detalhes a formação de diversos estados modernos e alguns antigos também.

Países com instituições extrativas são chamados assim porque têm instituições projetadas para extrair renda e riqueza de uma parte da população e tranferir para outra. Geralmente a maior parte da população é explorada para beneficiar uma minoria que domina o poder. Já instituições inclusivas têm o poder distribuído em grande parte da população, que garantem direitos mais igualitários a todos e uma participação mais ampla na economia e política. Instituições econômicas inclusivas incentivam a população a trabalhar e gerar riqueza, levando o país a prosperidade. A garantia da propriedade privada também tem um papel essencial essencial para incentivar o trabalho e ela é garantida por instituições políticas inclusivas. Os autores dão alguns exemplos para mostrar que fatores geográficos, climáticos e culturais não são tão relevantes quanto a característica das instituições dominantes no países. Entre os exemplos estão as duas Coreias e as cidades de Nogales, que dividem fronteira entre os EUA e o México.

Dentre as histórias contadas no livro, a história de Botswana me chamou bastante atenção. Eu não fazia ideia de que esse era um dos países mais desenvolvidos da África e que não foi colônia de nenhum país europeu. Botswana tem um histórico longo de governos democráticos e nunca teve uma ditadura militar. O país hoje tem o padrão de vida médio equivalente ao do México. Segundo o livro, o sucesso de Botswana se deve a raízes democráticas desde o seu sistema tribal, que permitia ao chefe da tribo ser eleito por méritos e não por hereditariedade. As decisões tomadas pelos chefes também envolviam reuniões em que todos tinham voz igual. Em tempos mais recentes, durante o século XX, uma peregrinação dos líderes tribais de Botswana pelo Reino Unido evitou que Cecil Rhodes, o "dono" da África do Sul colonial, invadisse o país e garantiu sua autonomia.

Como exemplos de nações onde as instituições eram extrativas e culminaram na falência do estado, o livro explora os casos de Serra Leoa e Zimbábue. Em tristes relatos, é explicado em detalhes como a colonização britânica criou as instituições extrativas que levaram a base para o caos atual nos países. Como na maior parte das colônias africanas após a independência, um governo tirano tomou o poder e conseguiu e se tornar mais duro ainda que os anteriores. Procure sobre a vida de Robert Mugabe e Siaka Stevens para saber um pouco mais do que esses ditadores são capazes. Para ser ter uma ideia, no Zimbábue quando o banco federal organizou um loteria para todos os clientes, o vencedor inusitadamente foi o próprio Mugabe. Aí dá pra ter uma ideia do grau de corrupção desses países.

Um mecanismo que age em países com instituições extrativas é o ciclo vicioso que mantém essas instituições funcionando. Em um regime totalitário os poderes do ditador são muito grandes em comparação com os poderes de um presidente de uma democracia inclusiva. A chegada ao poder também leva a um enriquecimento pessoal enorme. E caso esse ditador perca o poder para outro, ele provavelmente será perseguido e até morto pelo novo líder. Essas circunstâncias levam a um apego ao cargo maior em países mais extrativos, levando a perseguição da oposição, da imprensa livre e às liberdades da população. Esse ciclo vicioso torna mais difícil a mudança de instituições extrativas para instituições inclusivas. Há também o caso inverso que é chamado de ciclo virtuoso e ocorre em países inclusivos. Ele torna mais difícil o caminho para ditadores em potencial, uma vez que o poder está distribuído por diversas instituições com diferentes interesses e que acabam servindo de oposição entre si. No livro isso é explicado em bem mais detalhes e com exemplos reais.

A descrição da Revolução Gloriosa foi muito interessante. Não conheço muito sobre a história do Reino Unido e já me questionei sobre quando e como a Inglaterra deixou de ser uma monarquia absolutista e se criou a figura do parlamento, limitando o poder dos reis. Isso se deu início justamente na Revolução Gloriosa, a semente das instituições inclusivas no país que permitiram que a revolução industrial ocorresse lá e não em outro lugar. No resto da Europa ocidental o papel de Napoleão foi muito importante para o surgimento de instituições mais inclusivas. Nos vários países que Napoleão dominou, ele implantou um conjunto de leis baseadas no direito romano que buscava garantir a igualdade de todos perante a lei. Esse sistema legal ficou conhecido como código napoleônico e foi mantido mesmo após a queda e Napoleão. Esse foi um dos motivos porque os países que foram dominados por Napoleão adotaram rapidamente a revolução industrial. Outros países como o império russo, o Otomano e o Austro-húngaro permaneceram absolutistas até a primeira guerra mundial.

A forma de colonização dos EUA e da Austrália são descritas e comparadas com as formas colonização da América Latina. É triste relembrar mais uma vez como os colonizadores tiveram uma relevância enorme no sucesso dos países que foram colônias. Na América do Sul, os espanhóis e portugueses montaram uma indústria altamente extraída porque as condições eram favoráveis. Havia uma alta densidade de população local que podia ser escravizada, terras férteis para produção agrícola, muitas riqueza naturais como a prata e o ouro. As colônias nos EUA e Austrália foram diferentes, mas não porque as intenções dos colonizadores eram outras. Eles queriam extrair o máximo possível, porém as tentativas de usar nativos não vingou e a única colônia de sucesso foi feita por colonizadores que foram para trabalhar. Essa forma de colônia permitiu a distribuição do poder a um número maior de pessoas, que levou a instituições mais inclusivas e à prosperidade.

Os exemplos para comprovar a teses são vários e os autores relatam de forma bem detalhada. Um ponto que me pareceu pouco explorado foi a influência externa de impérios e potências no mundo atual, que pode dificultar o desenvolvimento de países mais atrasados. A questão geográfica também é descrita como irrelevante, porém o livro "Guns, Germs and Steel" do Jared Diamond me convenceu de que o início da agricultura e do desenvolvimento de civilizações teve um influencia bem grande de questões geográficas, como existência de espécies nativas cultiváveis, animais potencialmente domesticáveis e ausência de limites geográfico para expansão de aldeias, como montanhas e oceanos. Na minha opinião esses dois livros se completam e são imperdíveis.
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